terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ColunaZs - "Isso é muito gay"

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Palavras pejorativas já foram assunto aqui. Mas como sempre, um, dois, três textos não são suficientes para falar de um assunto.

Usamos “gay”, “viado”, “bixa”, “sapa”, “sapatânica”, “sapacústica”, “trava”, com carinho, de forma natural. Mas é comum ouvir estas palavras de forma pejorativa, nós ainda as usamos de forma pejorativa. Existem casos em que elas viram insultos enormes, as pessoas sentem a necessidade de defesa diante da “acusação” de “bixisse”.

“Isso é tão gay”, está para ser escrita expressão que me irrite mais que essa. O ápice do preconceito. Parte-se do princípio que se algo é gay, é ruim, é frágil, é inferior. E isso vem do conceito machista, e limitado, de que gays são afeminados, logo inferiores.

Ser “tão gay”, é ser forte, corajoso. Cada uma das letrinhas de LGBTT, e os que não tem letras específica, são pessoas de coragem, dão a cara a tapa, enfrentam o preconceito todos os dias. Não se curvam diante da hipocrisia alheia. Ser “tão gay”, é ter a audácia de buscar liberdade, romper padrões, criticar regras, questionar, é ter coragem de pensar. Ser “tão gay” é ter ousadia de mudar, de falar, de ter um ponto de vista e se fazer ouvir. Ser “tão gay” é ter força, força para seguir em frente, força para pensar, força para fazer pensar, força para viver.

Repetir expressões como “tão gay”, “muito gay”, é multiplicar o preconceito, validar a discriminação. Reforçar a ideia de que algo gay é inferior, desnecessário, algo que não deveria existir, algo a ser eliminado.

Para mudar o significado da expressão, não basta para de falar. Pois assim apenas a omitiremos, enquanto continuam a usá-la.  Chame a atenção de seus amigos, pode chamar mesmo. E diga que fui eu quem nadou. E quando não quiser chamar a atenção, apenas responda a frase com um simples “Sim, e por isso é tão lindo”.

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!