sábado, 3 de novembro de 2012

Mostra TODXS DIVERSXS é aberta com filme e discussão sobre identidade de gênero

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Na última terça-feira, aconteceu o lançamento da mostra TODXS DIVERSXS. A estreia foi aberta com a exibição do filme “Tomboy” e uma mesa redonda sobre identidade egênero, assunto que trata o filme. Laure, a personagem principal do longa, é uma menina de 10 anos que passa por dificuldades para se enquadrar em um determinado gênero. O Muza esteve presente e fez uma cobertura excluZiva, cujo relato, com os principais detalhes, você pode ver e ler abaixo.

Um dos participantes da discussão, Sânzio Cânfora, professor do curso de cinema e audiovisual do Centro Universitário UMA, afirmou que “este filme é extremamente importante porque abre a questão da identidade com bastante delicadeza”. A coordenadora executiva do projeto de pesquisa ‘Direitos e Violência na Experiência de Travestis e Transexuais da Cidade de Belo Horizonte’ (NUH/UFMG), Rafaela Vasconcelos, compartilha da mesma opinião. “Isso é apresentado ao longo do filme de forma bem sutil. E a personagem principal, acho que ela vai repensando a partir do que ela vê e vai também compreendendo a forma como ela quer ser vista. O que se vê é que ela não se entende naquele feminino. Ou no que é tradicionalmente feminino”, observou.


Rafaela ainda identificou as conotações e correlações que o filme traz entre a mãe de Laure e o mundo real. “Acho que a reação da mãe que entende quando ela brinca com meninos, que entende quando ela quer ter um quarto azul, mas que não permite a mentira. A mentira é ela não falar qual é a verdade do sexo dela. Acho que de alguma forma essa mãe representa o mundo público mesmo. Porque a gente não está falando de um lugar onde você pode ser como quiser sem consequência nenhuma. A gente está falando de um mundo que estupra lésbicas, que estupra homens transexuais e que mata gays”, explicou.

No debate também foi discutido qual o papel da escola na discussão sobre diversidade, homossexualidade e identidade de gênero. Diversas pessoas presentes compartilharam experiências positivas e negativas no âmbito escolar, referentes ao modo como a escola lida com a questão da identidade de gênero.


Sânzio Cânfora julga assistencialismo o ato de levar às escolas políticas de diversidade sexual. “Acho que há a necessidade de enfrentar essa luta, que é uma luta, a luta do direito à identidade, pelas representações ao invés de dizer aos outros o quê é uma politica de diversidade sexual. Acho que a diversidade existe se permitir que o outro se represente a si mesmo. No que diz respeito à escola e politica cultural, nós temos que estar sempre promovendo uma escuta atenta, respeitosa do modo como o outro se representa a si mesmo”, opinou.

A coordenadora do NUH/UFMG discordou. Segundo ela, deixar de falar sobre sexualidade na escola “é ignorar uma coisa que está dada e colocada o tempo todo pra gente”. Inclusive, Rafaela ainda citou como um bom exemplo o “TODXS DIVERSXS” ter se iniciado com um debate: Muito bom a mostra ter como lançamento um debate de uma experiência pouquíssima falada.