terça-feira, 13 de novembro de 2012

Entrevista excluZiva com Thiago Pethit

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Os encontros com Thiago Pethit são sempre estranhos. Um estranho bom, um estranho diferente, onde a gente se pergunta a cada 3 minutos se aquela atmosfera sempre foi assim ou não resistiu e se rendeu ao cabaret involuntário que esse moço faz.

Com uma pequenina estrela próxima a um dos olhos tão expressivos, usando um macacão-chão-de-fábrica e fumando seu cigarro mais que apropriado, Pethit recebeu o MuZa nos bastidores da casa de show Granfino’s, que abrigou o lançamento do seu segundo CD, Estrela Decadente.

Uma das primeiras curiosidades que vem a mente quando o assunto é Thiago Pethit é o fato dele cantar e compor, também, em inglês. Mas se pode parecer complexo ou algo do tipo, ele trata com naturalidade: “sou da geração da internet”, afirmou, para em seguida explicar que, por isso, é natural para ele gravar em inglês ou português. “Não penso em ser famoso ou atingir fama internacional (por cantar e compor em inglês), mas posso sim, através da internet, me comunicar com outras pessoas cantando em inglês”. Ele ainda explicou que, em seu processo de composição, flui naturalmente ser em inglês ou português. Thiago Pethit ainda compartilha uma curiosidade: a música “Don´t Go Away”, de seu primeiro disco, que tem a versão “não se vá”, foi uma das primeiras músicas que ele fez compôs em inglês.

Em seguida, nosso assunto foi o novo álbum, com participações significativas, composições autorais, um encarte que traz fotos controverso-andróginas e um ar mais maduro que o seu antecessor, Berlim, Texas.  De cara, ele revela a relação do título com o estado atual da sociedade de uma forma geral e suas influências estéticas. “As fotos do encarte trazem um pouco de Andy Warhol, ele também se travestiu em uma sessão junto de alguns modeletes, um pouco de David Bowie, mas fala muito da decadência no mundo. Quando o mundo se encontra em decadência, geralmente, ele está em crise econômica. Nessas horas, em que o mundo está em decadência, quem é diferente precisa se manifestar”. Mas se engana quem pensa que Thiago Pethit está falando do passado. Para ele, atualmente, o mundo se encontra em uma situação parecida. “As pessoas estão apontando os dedos uma para as outras, falam umas das outras... São Paulo quase elegeu um prefeito evangélico, neonazistas estão agredindo pessoas na avenida Paulista”, exemplifica, um pouco, Pethit sobre a decadência do mundo atual em sua visão.


Algumas parcerias são bem peculiares no novo trabalho, uma delas acontece com Mallu Magalhães na tristonha “Perto do Fim”. “Sempre fui muito fã da Malu. Desde que ela surgiu, sempre achei ela uma artista extraordinária, fazendo coisas absurdas com 13 anos de idade, e eu acho que ela tem se tornado cada vez mais uma artista interessante, mais profunda. Eu ganhei um VMB e fui dar uma entrevista, a gente se cruzou eu falei "Malu eu sou seu fã" ai ela "Eu também sou sua fã", daí a gente começou a se seguir no Twitter, mensagem aqui, mensagem ali, um dia ela me falou "Porque que a gente não canta uma música juntos?". Ela ouviu a canção, tocou, gravamos no Rio e hoje em dia a gente troca emails, dez páginas de e-mails (risos). Ela é demais, uma menina incrível. 

Na teatral “Surabaya Jonnhy” Thiago canta, fala, chora e lamenta ao lado da grandiosa Cida Moreira.  A canção que tem personagens curiosos, foi originalmente cantada em um musical da Brodway e desta vez emprestado do repertório da cantora. “Um velho diz pra uma jovem menina, vem comigo, eu trabalho numa ferrovia, te promete tudo e a leva pra uma ilha na Indonésia chamada Surabaya. Ele se chama Jonnhy, é um marinheiro e abandona a moça lá na ilha. Ela vira uma prostituta e casa com o maior bandidão da cidade, que 20 anos depois se torna o maior inimigo do Johnny. Quando Johnny retorna e a moça o reencontra, ela canta essa canção pra ele.”


Mas para quem conhece, sabe que o Pethit vai muito além de boas composições ou um trabalho visual bem arquitetado. O moço traz de forma visceral opiniões formadas sobre quase tudo, e muito bem formadas. Questionado sobre a presença de um público GLBT representativo em suas apresentações, ele conta como vê essa questão. “Eu não quero fazer um trabalho só direcionado para o público gay, nem só pro público hétero, ou alguma coisa que as pessoas falem bem e bla bla bla, isso não é bom. Quero que meu trabalho seja ouvido por todas as pessoas, independente do que elas sejam”. De qualquer forma, questões como essas, LGBT, são políticas. Então, sendo artista ou não, qualquer pessoa deveria ficar atenta a respeito disso”. Aproveitando gancho entramos em alguns assuntos polêmicos, e a opinião sobre o casamento homo foi surpreendente. “Eu não sou a favor do casamento gay. Mas não pelo casamento gay, mas pela ideia de casamento, da questão do diferente ter que se adequar. Não gosto dessa ideia do gay ter que mostrar tipo um casal de margarina, todo felizinho. Ter de mostrar que é amor, que é bonito. Por que o gay não pode ser safado? Pode ser safado sim!  As pessoas precisam mostrar o que elas  realmente são.”

Com seus poucos anos, uma vontade imensa e um sorriso largo acompanhado de muitas lindas caretas, Thiago fez um grande espetáculo naquela noite. Nós dançamos, cantamos, fotografamos e ficamos aqui, na espera de mais e mais. Porque como ele disse em certo momento emocionado: “Thiago Pethit acaba de mudar seu status no facebook para um relacionamento sério com Belo Horizonte”. E acredite, nós em hipótese alguma conseguiríamos recusar.

EM TEMPO: No início da entrevista, antes do show, Thiago Pethit disse ao Muza que BH é a cidade que tem o público mais caloroso. Ele revelou que se apaixonou por BH assim que ele chegou. Tudo isso deixou ele positivamente surpreso e, felizmente, a sensação e recepção do público com ele continuou das outras vezes que ele veio à cidade. Essa foi a quarta passagem de Thiago Pethit pela cidade.

Entrevista: Valmique e Diego Moreira
Texto: Diego Moreira e Valmique