quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Documentário retrata vida do primeiro travesti eleito no país

Loading


Foi exibido na mostra competitiva do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizado em setembro, o documentário "Kátia". A produção narra a história de Kátia Tapety, que se consagrou como o primeiro travesti eleito para exercer um cargo político no país.

Para a diretora do documentário, Karla Holanda, uma das coisas que mais lhe chamaram a atenção foi o respeito e a dignidade que ela conquistou, especialmente vindo de um lugar inesperado, o sertão do Piauí. “No início, o que me chamou a atenção foi isso dela ser a primeira travesti eleita para um cargo político, mas isso logo ficou em segundo plano. (...) Ela tem uma riqueza muito grande e lida com o mundo de uma forma muito dela, muito prática, sem rodeios”, diz.

Karla conheceu Kátia em 2008 por meio de notícias em jornais e na internet e logo se mostrou interessada pela personagem. A diretora afirma ainda que, embora Kátia tenha o status de ser a primeira travesti com carreira política no Brasil, ela nunca ficou reconhecida por defender apenas projetos da luta LGBT.

Perfil
Nascida em Colônia, cidade com aproximadamente oito mil habitantes no sertão do Piauí, Kátia foi criada numa tradicional família de políticos do estado. Ela, que nasceu José Nogueira Tapety Sobrinho, sofreu preconceito durante sua infância e adolescência. Foi a única entre nove filhos que não teve educação formal, era proibida de sair de casa e apanhava quando ia com a mãe para a igreja. A libertação veio após a morte de seu pai. Conseguiu casar e adotar três filhos, um dos quais faleceu há cerca de quatro anos. Foi a vereadora mais votada de seu município por três vezes consecutivas e chegou a vice prefeitura da cidade, entre 2004 e 2008. Hoje, Kátia está separada do parceiro com quem viveu por quase 20 anos e não concorre a nenhum cargo nas eleições do próximo domingo.


 
Fonte: G1