sexta-feira, 26 de outubro de 2012

ColunaZs - "Por que uma criança adotada por um casal gay incomoda tanto?" (a estreia de Heterofobia)

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O Muza está tomado de alegria e satisfação em apresentar a vocês o mais novo colunista: Heterofobia, melhor dizendo,  @heterofobia. Isso mesmo! O famoso perfil do twitter, @heterofobia,terá espaço garantido no ColunaZs!
 
O @heterofobia existe há dois anos. No início, abordava assuntos diversos de forma decontraída. A maneira despretenciosa, e cativante continua na abordagem, entretanto, com o tempo, segundo o próprio a pauta mudou: “fui me tornando mais sério e senti a necessidade de discutir a respeito da minha condição de homossexual, sobre a forma como eu lidava com o mundo e, principalmente, a respeito da homofobia, algo que me preocupa muito”. A pessoa por trás do perfil – uuuhhh mistério – ainda explica que o é uma brincadeira com a palavra homofobia e que, com isso, não há qualquer intenção de ofender ou difundir o preconceito
 
O @heterofobia espera que possa, através do ColunaZs, construir um diálogo interessante com o público LGBT e trocar experiências sobre questões do mundo. “Não sou nenhum pesquisador ou grande militante da área, apenas penso sobre algumas coisas que me incomodam e me instigam. Por isso, agradeço ao Muza pela confiança em publicar meus textos. Espero que todos gostem, critiquem e construam discussões nesse espaço”. A gente que agradece @heterofobia! Seja bem-vindo e por favor: nos informe e nos inspire! ;)
 
Curiosidade: a foto utilizada pelo @heterofobia em sua assinatura da coluna e no twitter é o auto-retrato de um fotógrafo francês chamado Sylvain Norget, cujo trabalho se desenvolve a partir de uma perspectiva homoerótica.Instigante...
 
Se existe uma coisa que realmente me intriga nessa vida, é o fato de muitas pessoas serem contra a adoção de crianças por casais LGBTs. Vocês podem chamar isso de conservadorismo, eu chamo de falta de prato pra lavar. No Brasil existem milhares de menores abandonadas por aí, os orfanatos estão cheios e, mesmo assim, os defensores da moral e dos bons costumes acham prejudicial para um menino ou menina crescerem em um lar homossexual. Convenhamos, para uma criança, a possível estranheza provocada por pais ou mães gays é o menor dos problemas se a alternativa é permanecer em alguma instituição, sem carinho, sem afeto, sem atenção, sem cuidados e sem uma educação adequada.
 
Sei que qualquer um pode ser contrário ou favorável a isso. Liberdade de opinião existe e não é proibida! Mas, não acredito que seja um ato de amor impedir que dois homens ou duas mulheres, dotados de condições mentais, morais e financeiras, sejam impedidos de adotar uma criança. Os contrários à adoção pensam apenas naquilo que lhes choca, esquecem-se dos maiores interessados e beneficiados pelo ato, que são os adotados. Comportamentos retrógrados só demonstram que não há nada mais perigoso para uma sociedade que um extremista conservador que prefere um órfão em dificuldades a um filho com um lar e muito amor.
 
É muito triste saber que a maioria das pessoas ainda considera os LGBTs como depravados, possuidores de uma vida desregrada, sem limites ou valores. Pior, que são incapazes de constituir um ambiente familiar estável. Outro fator que dissemina o preconceito é a ideia de que a criança necessita de referências masculinas e femininas. Mas se isso é verdade, por que os filhos criados somente pelas mães, cujos pais os abandonaram, crescem sem problema algum? É preciso entender que homossexualidade não é contagiosa - heterossexualidade também não; ou a maioria dos gays não viria de lares heterossexuais.
 
Dizer que as crianças irão sofrer discriminação na escola é outro argumento bastante usado por quem é contra a adoção. Talvez isso venha a acontecer, mas também possa ser que não. Quanto mais casos, menor será o estranhamento. É importante lembrar que, há algumas décadas, os filhos de mães solteiras ou divorciadas passaram pela mesma situação e hoje ninguém nota, é completamente comum. Tudo é uma questão de hábito.
 
Lembro que há algum tempo atrás, uma universidade dos Estados Unidos divulgou uma pesquisa sobre a criação de filhos por casais LGBTs. O estudo, realizado pela Universidade de Clark constatou que pais gays tendem a ser mais motivados e mais comprometidos que os pais heterossexuais. A razão para essa conclusão é bastante simples: o estudo indica que gays e lésbicas raramente constituem uma família por acidente, há um planejamento e isso se traduz em um maior compromisso e um maior envolvimento. 

A lei brasileira deixa brechas para a adoção por pais gays sem fazer referência direta a esse tipo de família. Em 2009, quando houve mudanças na legislação, casais com união estável comprovada puderam entrar com pedido de adoção conjunta. Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu o reconhecimento de união estável entre pessoas do mesmo sexo, garantindo-lhes os direitos previstos para casais héteros. Apesar das conquistas, uma pesquisa do Ibope revelou que 55% dos brasileiros são contra a união estável e a adoção de crianças por casais homossexuais. A eles, deixo o meu apelo: vão lavar os pratos da pia.


@Heterofobia é ativista virtual, gay, adora barba e acredita que um dia ninguém será agredido ou morto por conta de sua orientação sexual.