terça-feira, 2 de outubro de 2012

ColunaZs – “Paternidade”

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Que a Tia quer ser Papai não é nenhum segredo. Mas ontem foi meu aniversário e hoje é aniversário do meu pai. Então nada mais adequado do que falar de paternidade. Desde o primeiro texto, o que não faz muito tempo, o número de adoções por casais de mesmo sexo aumentou. Já vimos registros de dupla maternidade.

Mas hoje o assunto é mais carinho e amor. Amor de pai, amor de mãe. Amor de verdade. Aquele capaz de fazer com que a pessoa mude completamente sua percepção. Desde antes de me assumir para meus pais, pois eles sempre sabem antes, ambos já buscavam entender melhor esse universo gay. Obviamente nada aconteceu da noite para o dia, mas nunca fui desrespeitado. Algumas coisas eles não entendiam, tivemos discordâncias, mas sempre houve abertura para o diálogo e aprendizado.

Meus pais, criados em um mundo mais preconceituoso do que o atual, poderiam ter me agredido, reprimido. Eu poderia ser mais um entre os milhares de gays agredidos dentro de casa. Mas eles se adaptaram, me respeitaram e me apoiaram.

Os dois sempre foram extremamente respeitosos, mas mesmo assim sei que não foi fácil. Não costumamos pensar na diferença dentro de casa. Questionaram mais o posicionamento da “sociedade” e não o meu. Não existe um pingo de dúvida em meu corpo de que eles me defenderiam com unhas e dentes contra qualquer homofóbico. Pra mim isso sempre foi uma das maiores provas de amor que já recebi.

Não que aceitar o filho gay tenha sido um grande sacrifício, ainda mais contando quanto sacrifícios eles já fizeram. Mas o simples fato de saber que eu posso contar com meus pais, de que aquela dúvida acabou, que eu não precisava esconder deles, que eu tenho apoio, que sou amado por ser quem sou, em um mundo onde isso é motivo de ódio... Assim sinto, como em nenhum outro momento, amor incondicional.

Não quero esfregar minha família na cara de ninguém. Mas acho importante passar essa mensagem de amor, dizer que existem pessoas que amam de verdade. Acho importante lembrar que todos podemos ser pais de verdade, amar de verdade. Ter ou não pais bons não define a nossa capacidade se ser um.

Esse texto é uma mensagem de amor. Uma mensagem de parabéns ao meu Pai. Uma mensagem de agradecimento aos meus pais.

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!