terça-feira, 16 de outubro de 2012

ColunaZs – “Nosso ato de revolução”

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Quem nunca foi chamado de minoria na vida? Sempre tem uma pra gente se encaixar, negro, gay, lésbica, baixinho, gordo, mulher... As únicas pessoas que não são consideradas minorias, são homens brancos, heterossexuais, altos e magros. 

Fazendo uma citação direta do vídeo que inspirou esse vídeo: “Se você é uma mulher, se você é uma pessoa de cor, se você é gay, lésbica, bissexual, transexual, se você é uma pessoa de tamanho, se você é uma pessoa de inteligência, se você é uma pessoa de integridade, então você é considerado uma minoria neste mundo. E será muito difícil encontrar mensagens de apoio a amor próprio em qualquer lugar.". Essa é uma frase de Margaret Cho, no seu especial “Notorious C.H.O” (vídeo, em inglês, no fim do texto). 

 Minoria serve para categorizar as pessoas que não se encaixam no padrão, pessoas erradas, feias, sem valor. Também como diz Margaret “(...) você não sabe, que esse não é o seu eu autêntico?”. E realmente não é. Na realidade todos temos valor, independente do que tentam nos fazer acreditar. Na maioria das vezes conseguem nos fazer acreditar que Deus nos odeia, que somos feios por não sermos iguais aos padrões, que estamos a margem de tudo, que devemos nos adequar. Que não devemos ter autoestima. 

Pessoas sem autoestima perdem a força para buscar o que querem. N torna menos produtivos, menos críticos, mais limitados. É quase um ataque preventivo, enfraquecer aqueles que ‘ameaçam’ a supremacia desses seres que se julgam especiais. Me jogue uma faca quem nunca viu um homem, que se achava especial pelo simples fato de ser homem. A crença da inferioridade da minoria também eleva os supostos seres padrão, enfraquece um lado e fortalece o outro. 

Me desculpem o excesso de citações, mas aqui vai mais uma: “Quando você não tem autoestima você vai hesitar antes de fazer qualquer coisa em sua vida. Você vai hesitar em ir para o trabalho que você realmente quer ir, você vai hesitar em pedir um aumento, você vai hesitar em chamar-se um americano, você vai hesitar em denunciar um estupro, você vai hesitar em defender-se quando são discriminados por causa de sua cor, a sua sexualidade, seu tamanho, seu gênero. Você hesitará em votar, você hesitará em sonhar. Para nós, ter autoestima é verdadeiramente um ato de revolução... e nossa revolução já foi muito adiada.” 

No fim é isso que fazemos, hesitamos em buscar nossos direitos, hesitamos na hora de falar, hesitamos na hora de agir, hesitamos na hora de expressar uma opinião. Hesitamos. Mas não hesitamos em perpetuar esse modelo de mundo que nos discrimina. Isso é a clara prova dessa epidemia de falta de autoestima. 

Ter autoestima é, de fato, um ato de revolução. Se todas as minorias passarem a ter autoestima, mudaremos o mundo rapidamente. Juntas as minorias são a maioria da população mundial. A mudança começa com cada um de nós. Não podemos cobrar dos outros o que nós ainda não acreditamos. Se você não acredita que merece seus direitos reconhecidos, que merece ser respeitado, que já está com o suficiente, não há como esperar que os outros acreditem que você merece tudo isso. 

“Para nós, ter autoestima é verdadeiramente um ato de revolução... e nossa revolução já foi muito adiada”. Chega de adiar, a hora da revolução chegou.


*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!