terça-feira, 9 de outubro de 2012

ColunaZs – “Não confundam nossas crianças!”

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Dia das crianças chegando, hora de falar delas de novo. A sexualidade humana ainda é, de certa forma, um mistério. Mas a construção social a respeito da sexualidade e da identidade de gênero é, indiscutivelmente, um invenção nossa. Os conceitos foram criados por nós, são validados por nós e devem ser mudados por nós.

É comum escutar pessoas dizendo “Ter pais gays confunde a criança”. É o fato de ter pais gay que vai gerar a confusão ou é imposição da heteronormatividade? Na verdade ter pais gays diminui a chance de confusão com relação a sexualidade e gênero, uma vez que é mais provável que pais gays ensinem sobre a diversidade. Tal lógica vale mais da forma inversa, para crianças gays criadas por casais heterossexuais. Nesses casos que há maior chance de a criança se confundir. Obviamente existem exceções, mas pais heterossexuais tendem a simplesmente reproduzir o modelo que lhes foi ensinado, o modelo heteronormativo.

A criança gay criada dentro do modelo heterossexual pode crescer confusa quanto a sua sexualidade. Quando começa a “se descobrir” gay, ou trans, lésbica, não heterossexual, fica confusa, se sente diferente, errada. Não é a sexualidade dessa pessoa que faz isso, mas a falta de uma educação com mais diversidade, é ouvir desde sempre que vai ficar com alguém do ‘sexo oposto’, é ser considerada desde o nascimento um ser heterossexual.

A infância é muito cedo para definir a sexualidade, identidade de gênero e etc. Mas mesmo assim definimos que todos são heterossexuais até que se diga o contrário. Definimos que desde sempre todos os modelos de relacionamento que as crianças verão, são heterossexuais.  

Essa confusão é causada pela falta de contato com o mundo real. Criadas em mundo fictício onde tudo é heterossexual e com gêneros binários, ficam confusas ao encontrar a realidade e sua diversidade. A solução é simples, ensinar que a diversidade existe. Assim formaremos pessoas mais respeitosas e bem resolvidas. Pessoas sem medo da diversidade.

Por favor, parem de confundir nossas crianças.

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!