terça-feira, 30 de outubro de 2012

ColunaZs - "Infância não tem G"

Loading


Hoje, 30/10, é a abertura da mostra TODXS DIVERSXS em BH. Serão exibidos filmes sobre identidade de gênero e sexualidade, todos seguidos de debates. A mostra traz no próprio nome um questionamento sobre gênero. Afinal, como se fala? Não existe pronúncia correta, não existe gênero definido. O filme exibido na abertura será ‘Tomboy’, a história de uma menina que se apresenta a novos amigos como menino.

A ideia de gênero nos é ensinada desde pequenos, a partir do “azul é de menino e rosa de menina”. Aprendemos os conceitos de feminilidade e masculinidade, como delicadeza e brutalidade, carros e bonecas, marido e mulher. Todos os conceitos do binarismo de gênero que domina nossa sociedade. Tais conceitos são reais apenas porque acreditamos neles, porque nós os validamos e repassamos.  Somos ensinados e ensinamos, às vezes sem perceber.

Mas quais seriam as alternativas? Como sempre, não existe receita de bolo. Mas alguns casos me chamam a atenção, como criar um criança neutra com relação ao gênero. A família da foto é um exemplo, não revelam o sexo biológico do bebê, que será criado com gênero neutro. No colo do pai, de tranças, está o irmão mais velho do bebê. Permitir que a criança se identifique com qualquer identidade, experimente e só então decida, ou não, se definir, parece interessante. Existem aqueles que são contra, e os que são a favor, dessa neutralidade de gênero. Alguns argumentos são até familiares “Isso vai confundir a criança!”, eu acho que mais confuso é crescer sem ser capaz de atender às expectativas de gênero que lhe foram impostas, mas enfim.

Existem também os casos como o do ‘Pai de Saia’. Ensinar a criança que “ser homem” ou “ser mulher” não define todos os seus comportamentos, gostos, roupas e etc. Que isso são apenas nomes dados por nós, separações criadas por nossas mentes. Ensinar a desafiar as definições de gênero.

Educar uma criança, um novo ser humano, é mais complexo do que simplesmente certo e errado, não existe receita, não existe a melhor maneira de educar. Cada família, de acordo com sua realidade e crenças, tenta encontrar a melhor forma. Não sei se criar uma criança sem gênero é a melhor opção, mas usar o binarismo de gênero não tem funcionado muito bem.

Gênero, assim como muitas outras coisas, é uma invenção nossa. De fato, o gênero não existe. Criamos categorias para facilitar a identificação, mas é mais do que obvio que nossas categorias são falhas e que muitos se recusam a aceitar uma ‘reforma do modelo binário’. Não possuímos gênero quando somos bebês, aprendemos com o tempo. Se formos olhar a realidade, não existe gênero na infância, não existe gênero na adolescência, não existe gênero na vida adulta, não existe gênero na velhice. Quem coloca um G gigante em todas essas etapas? Nós mesmos.

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!