terça-feira, 4 de setembro de 2012

ColunaZs – “Um novo modelo de mundo”

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É hora de ir além do gesto e aproveitar para discutir algumas coisas.

Semana passada a imagem acima, assim como sua história, se tornaram notícia no mundo todo. O pai vestiu uma saia para apoiar seu filho, de 5 anos, que gosta de usar vestidos.

Um menino de vestido, ou o pai de saia, vão contra a atual concepção de gênero. O modelo binário reconhece homens e mulheres, papeis femininos e masculinos. Roupas de um e roupas de outro, coisas de um e coisas do outro. Dentro dessas limitações os vestidos, e saias, são roupas de mulheres, logo não devem ser usadas por homens. Dou um prêmio para quem me der uma explicação lógica, e que não seja baseada em conceitos e imposições sociais, para isso.

A atitude desse pai vai muito além de mostrar a esse menino que ele não deve se curvar diante do preconceito alheio, que ele pode ser livre. Mostra que roupa não define gênero e muito menos sexualidade, que ser mais feminino não o torna inferior, que roupas são pedaços de pano e o problema está com quem é preconceituoso.

Um homem não poder usar roupas femininas, por isso ser “degradante”, é um conceito machista. O conceito machista pode ser extrapolado e se tornar homofobia. Este caso mostra a forte ligação entre ambos. A mistura entre os gêneros binários é vista, por preconceituosos, como uma busca, ou fuga, da feminilidade, da inferioridade de gênero.

Uma criança de 5 anos ainda não está contaminada pelas regras sem sentido com as quais estamos acostumados. Quando nascemos não temos noção alguma do que é feminino, masculino, gay, transexual e etc. Ao longo da vida aprendemos o que são essas coisas, assim como os conceitos que inventamos a respeito de cada uma delas. Se é que nós não inventamos os conceitos por completo. Nos petrificamos. Quando menores no dizem “vestido é coisa de mulher”, mas não dizem o motivo. Não existe outro motivo além da imposição social, que é repassada roboticamente por nós.

“É absurdo esperar que uma criança de cinco anos consiga se defender sozinha, sem um modelo para guiá-la. Então eu decidi ser esse modelo...” É função dos pais educar seus filhos, ensinar a pensar e distinguir o certo do errado. Este pai mostrou que se expressar é correto, que preconceito é errado. Ensinou essa criança a pensar, a questionar. “Você só não se atreve a usar saias e vestidos, porque seus pais não usam”, essa é a frase que essa criança usa para responder às provocações. Essa frase não foi ensinada ao menino, ao contrário da frase “Vestido é coisa de menina” que é decorada por milhares de pessoas. Esse menino pode ser hetero, gay, trans, pansexual, qualquer coisa. O vestido não muda nada disso.

Esse pai, que “apenas saiu de saia”, se tornou um modelo para o filho e para o mundo. Roupas não definem gênero, assim como sexualidade e muito menos caráter. Este é um exemplo a ser seguido. E não me refiro a sair de saia, mas a forma de encarar os gêneros e o preconceito. Ele, ao invés de tolir a criança, expandiu as possibilidade.

Pergunto a quem acha isso errado: Por qual motivo?  Eu digo o motivo mesmo. Pois até agora só vi coisas como “E depois disso? Eles vão usar calcinha?” e “Só falta começar a usar fraldas pra apoiar a falta de saber usar o vaso sanitário do filho.” Se vai responder,  quero argumentos sólidos, motivos pelos quais isso seria errado. Será que alguém consegue dar essas resposta sem ser machista?

*Becha Má é twittera e toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!