segunda-feira, 20 de agosto de 2012

ColunaZs - "Um pouco mais de respeito"

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Ei EveryBody,

No último dia 22 de Julho aconteceu a parada Gay de BH, que completava 15 anos de existência. Debutando e como uma menina que ainda não chegou a fase adulta, se vê de tudo. Eu estava lá e percebi que os envolvidos, especificamente entre os membros de ONGs, tem os que estão nisso por oba oba e os que estão já fazendo seus contatos pra se integrar na carreira política e, como tal, já percebemos os traços do que se entende por política hoje em dia.Entre tudo isso e pessoas do público que pouco se importam com luta contra descriminação há a misericórdia de Deus. Disfarçada como o acaso, podemos perceber que o pouco de sanidade que existe nestes encontros se une com o bom censo de outras causas, como qualquer outra que traz o lema da desigualdade e nada de apelo tendencioso. Porque o bem é pra todos e isso não pertence a um grupo ou outro e, principalmente, pra isso acontecer tem de ser levado em conta à base de tudo. Educação e informação. E não engloba apenas o conhecimento acadêmico e sim o foco do respeito nas relações humanas.

Vocês já perceberam que as gays são super intolerantes entre si? Oh...raça! Pra que tanta competição, Meu Pai? É gay discreta que não admite uma afeminada, é trava que não gosta de drag, é drag que não suporta sapa...Ai...Basta! Eu entendo que tanta reatividade é proveniente de tanta exclusão externa que interfere no interno do indivíduo. Só que esta atitude agressiva com o próprio semelhante é burra. Não há ganhos. Que saco, né?

O Palco estava cheio, cada um querendo aparecer mais que o outro e a “Causa” se perdia mais um pouco.Junto à cervejada livre dos bastidores, a irresponsabilidade reinava.Ninguém estava mais a serviço afinal, era festa (depois, mais tarde, após uma “porrada”,entendi que isso é mais que justo pra aqueles que batalham todos os dias em busca de mais dignidade pros preguiçosos, porém sei que estes lutadores são poucos). E vocês podem indagar que eu também estava no mesmo clima. De fato, o meu papel é da alegria, mas vejam nas entre linhas do meu trabalho com minha banda que perceberão minha luta e de cada integrante dela. Eu não me escondo no gueto, vou à luta e conquisto todos os setores da sociedade e, por ironia, só o meio gay que não sou muito bem quista. Meu trabalho é considerado “elaborado de mais”. Aff...


Pra dar uma amenizada no assunto eu lembrei de um termo que me chama a atenção e vendo tantos corpos sarados na Parada acho oportuno lembrar: o termo “Barbie”. Como chegaram nesta definição? A boneca produzida da Mattel não tem nada parecido com estes bombadões que levam esta fama. Teoricamente, “Barbie” estaria mais pro meu biótipo que dos fortões do meio GLBTUVXZ. Se bem que tem musculosas mais fêmeas ate mesmo que a também malhada e recém casada Mulher do Belo, Graciane Batista. Seria o fato da fabricação em massa de corpos como plástico? Fabrica, consumo, plástico, descartável... (Oh Era FaceBook!!!)



Em 1995 foi criado nos Estados Unidos um boneco chamado Billy Boy, direcionado pro povo de San Francisco. Este boneco seria uma sátira da boneca Barbie só que na nossa versão de Barbie. O legal destes bonecos, pois são homenzinhos sarados, são que possuem genitália.E assim como a boneca que deu origem a este ele possui mais dois amigos.Carlos seu Boy Friend latino e o Tyson a versão Afro Americana. Eu tenho três. Um Billy Brunet e outro Loiro e um Carlos. A fábrica faliu mais tarde e estes bonecos se tornaram uma raridade no mercado.

Raridade também é encontrar alguma biba que pensa. Mas isso não é "privilegio" só das bilzinhas lesadas intelectualmente. O Mundo está com déficit de atenção. As pessoas querem um misto de joga cabelo e TchuTcha e nada de atitude Rock In Roll( que era a aliada nas revoluções em outros tempos).


Neste domingo ensolarado, me fez reforçar em mim que cada qual está em seu turno evolutivo. Uns mais, outros menos. Tem gente que nem começou a andar. E eu lá no meio do caminho, também pelejando. É justamente o que nos posiciona como seres humanos que fará este ou aquele projeto e conquistas sociais acontecerem. As reinvindicações da classe homossexual são uma necessidade mais que emergencial, que devem acontecer mais cedo ou mais tarde. Porque TODO o mundo está mudando e não há mais espaço pra preconceito no planeta. Agora, a formação de grupinhos e o afastamento da ética no próprio movimento só adiam este acontecimento.

Eu fico pensando que a doninha que luta contra sua própria ignorância pra aceitar seu neto gay; o oficial que respeita a conduta da civil travesti que trabalha sim com sexo, mas não inflige lei e ate mesmo quem é do direito que luta para que o seu cliente receba a herança do seu falecido parceiro no qual construiu junto um patrimônio, estão fazendo muito mais que os que estão dentro dos prestígios e pompas de uma falsa militância. Os bons manifestantes que me desculpem, pois são raridades. Por isso mesmo deveriam se responsabilizar e denunciar. Afinal o exemplo é algo que revela o ser, não adianta fingir.

O exemplo fala por si, é a própria verdade disfarçada em ação. Graças a estes bons representantes do movimento tive, recentemente, um grande amparo numa violência homofóbica. A princípio eu ia me calar, mas com ajuda de meu marido, amigos e a imprensa, mais o lutador digno Carlos Magno, consegui mais que fazer uma grande mobilização, mas, principalmente, me conscientizar que quando há uma fagulha acesa ela pode se alastrar, tanto pra o bem quanto para o mal, e se você que já possui uma lucidez tem o dever que não se calar perante o pior que há no mundo.

E por falar em raridade, vou ali na internet procurar meu último Billy Boy (Tyson). Porque o show da parada foi ótimo, mas as Bibas não estão abertas. Só pro mero entretenimento. Os homofóbicos estão soltos pra atacar, porque cresce o número de pessoas que saem dos armários. Então, não é mais hora do Show, Energia. É hora das compras. Do consumo desenfreado, do vazio e do teatro malicioso da corrupção. Ou se preferir outra opção... é hora da luta e a marcha da vitória.