terça-feira, 19 de junho de 2012

ColunaZs – “Preciso de uma caixinha?”

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Imagem original:  InertiaCerebri de WojciechGrzanka

Faz um tempo que cansei de me definir e categorizar. Já publiquei um texto sobre androginia aqui no Muza, mas hoje vou além disso.

Existe ainda uma necessidade absurda de definir em que nome nos encaixamos, de escolher qual etiqueta vamos usar. Estas separações são cada vez menos necessárias. Mais e mais pessoas passam a se libertar de certas definições e são apenas livres. Mas a dificuldade de “ser livre” é a mesma que a do bissexual, é interpretado como covardia, como se não quisesse assumir por completo, como se estivéssemos em cima do muro. Mas é esse “nome” que não me define, que não nos define, por completo.

Repito uma frase que já disse milhões de vezes, “Queremos nossos direitos respeitados, mas nem sempre respeitamos toda a nossa diversidade”. E essa diversidade é maior do que se imagina, e se fossemos acrescentar, a sigla, letras suficientes para representar tal diversidade, nosso alfabeto seria insuficiente. É de um comodismo tão grande tentar encaixar, e forçar as pessoas a se encaixarem, nos conceitos que já conhecemos.

Isso volta em toda a discussão sobre preconceito dentro da “comunidade LGBTT” . Por muitas vezes uma noção distorcida, e egoísta, de respeito. “Eu, enquanto uma pessoa com uma  ‘categoria’ definida, quero meus direitos. Ah, ela é indecisa, ainda não se achou”. Pois é, o homofóbico ali acha essa pessoa, que está falando, um erro. Existe uma diferença grande entre os dois? Um sofre preconceito e ainda sim é preconceituoso.

A grande pergunta é: Preciso de uma caixinha?

Preciso me encaixar em algum padrão, preciso seguir regras que na verdade não existem? Devo viver de acordo com a mente alheia? Preciso me fechar dentro de uma caixa, com seus 6 lados e limitações infinitas? Preciso?

Que liberdade é essa pela qual lutamos? Que liberdade é essa que te separa em grupinhos? Que direitos são esses? Que diversidade é essa?

Já saímos da armário, talvez seja hora de sair da caixa.

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!