quarta-feira, 9 de maio de 2012

ColunaZs – “Transhomem”

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Bixa, sapatã, amapô, trava, trans e quem mais estiver lendo este texto... Como vocês já sabem, desdedomingo (06/05) está acontecendo o 7º Encontro de Travestis e Transexuais da Região Sudeste.O evento ainda está acontecendo, amanhã (09/06) será o último dia do encontro. Teremos a visita a Inhotim, quem sabe isso não rende um texto para semana que vem?

O evento está lindo, a Tia está presente o tempo inteiro deixando tudo mara! E nos dois primeiros dias de encontro duas coisas me chamaram a atenção, o destaque que os transhomens (não) tem, e necessidade absurda (de algumas pessoas) de definir limites, divisões e até gradientes entre as identidades de gênero, sexualidade e etc.

Pra começar, você tem alguma ideia do que é trashomem? Em uma definição simples e tosca – acredito que seja – são pessoas que nascem “mulheres”, mas se sentem como homens, e através de tratamentos hormonais, e as vezes cirúrgicos, se transformam em “homens”.  Mas muito mais que isso, eles são pessoas. Pessoas que desafiam, de uma forma ainda não muito pensada/discutida, os padrões com que nos acostumamos ao longo dos anos. São provas vivas de que não é um pau que define um homem, que limites podem explorados e que talvez eles (quase) não existam.

Não acho que transhomens representem isso mais que trasmulheres ou travestis, na verdade é justamente por isso que decidi falar deles. Por transhomens serem tão pessoas quanto uma trasmulher, travestis, gays, heteros, por serem tão humanos quanto qualquer um de nós, acredito que eles mereçam mais espaço, mais visibilidade e mais respeito. Igualdade de verdade.

Eu estaria mentindo se dissesse que o conceito não me gerou estranheza a princípio, era algo novo, no qual nunca tinha pensado. Mas qual seria o motivo disso? Justamente a falta de visibilidade que eles tem.

Na questão dos transhomens já entra também as divisões que tenta se definir, ou borrar. Mas será que é realmente necessário fazer isso? Gastar todo esse tempo categorizando e separando todo mundo? Aposto que maioria imagina que um trashomem gosta apenas de “mulheres”, mas existem trashomens que gostam de “homens” e existem os que gostam dos dois, ou até de mais pessoas. Vivemos em um mundo com uma pluralidade de identidades, e ela é tão grande que talvez valha a pena tentar largar a categorização de lado. Ou, sob uma perspectiva mais real, apenas retirar parte da importância que ela tem hoje. Dentro desse ‘sistema’ o certo seria me definir como gay, mas e se eu quiser ficar uma travesti, ou um trashomem, ou uma trasmulher minha categoria muda? Mudarei enquanto pessoa, enquanto ser humano?

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!