segunda-feira, 21 de maio de 2012

ColunaZs – “Pra criminalizar a homofobia, é preciso marchar” (sobre a III Marcha Nacional contra a homofobia)

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As músicas eletrônicas e apresentações artísticas de drag queens deram lugar a palavras de protestos, exigência ao Governo Federal e denúncias aos principais opositores da comunidade LGBT.  No clima de reivindicação, aconteceu a terceira edição da Marcha Nacional contra a Homofobia, no dia 16 de maio, Brasilia- DF.

Convocada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), a maior organização da América Latina, como 257 entidades afiliada, a Marcha contou com apoio de vários sindicatos, dos Conselhos Federal de Psicologia e Serviço Social, da OAB, CUT, UNE, CONLUTAS, dos movimentos sociais diversos e de vários partidos políticos.

A manifestação iniciou com um ato político em frente do Planalto, onde a bandeira do arco-íris, símbolo do movimento LGBT, foi aberta fazendo uma bela imagem no local. Em seguida, os militantes caminharam pela Praça dos Três Poderes e se dirigiram ao Congresso Nacional, onde finalizaram com os  discursos de parlamentares presentes, representantes do movimento LGBT e com o canto do  hino nacional.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Site Terra 
Com o tema “Homofobia tem cura: educação, e criminalização”, a III Marcha contra a Homofobia tinha como objetivo central denunciar os constantes casos de violência, as declarações de preconceito e ódio homofóbicos e os  assassinatos, quase que diários, ocorridos no país. Segundo Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2011, foram 251 homossexuais assassinados, ou seja, a cada um dia e meio, um LGBT é morto brutalmente no Brasil.

Além disso, a manifestação fez duras críticas à presidenta Dilma Roussef. O movimento LGBT exigiu que o governo desenvolva ações e políticas públicas que possam coibir a situação de atual violência no país contra os LGBT. Os militantes gritavam palavras questionando a atual postura do governo. "A nossa luta, é todo dia, por um Brasil sem Homofobia".  / "Oh, Dilma, que papelão, não se governa com religião. / A Dilma, pisou na bola, e a homofobia continua na escola. / "Um, dois, três, quarto, cinco, mil, ou acaba com a homofobia, ou paramos o Brasil’, entre outras.

Ao contrário dos países como Argentina, que aprovou o casamento e a lei que reconhece a identidade de gênero nos documentos oficiais, e Chile, que após a morte de um militante LGBT, aprovou de imediato a lei que criminaliza a homofobia, e a recente declaração do presidente do EUA, Barack Obama, apoiando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, no Brasil continua estagnada em relação ao reconhecimento dos direitos de nossa comunidade.

O atual Governo Federal tem sido omisso. As conquistas da comunidade LGBT, têm vindo, fundamentalmente, do judiciário, ou do governo anterior. A coordenadoria de políticas LGBT, Conselho LGBT, Institucionalização do dia 17 de Maio - Dia nacional contra a Homofobia e a convocação e a realização I Conferência Nacional LGBT foram ações do governo Lula. Atualmente, temos amargado o veto do Kit contra homofobia, da propaganda de prevenção as AIDS para jovens gays e ausência da presidenta na abertura da II Conferência Nacional LGBT, ocorrida, em dezembro, do ano passado.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Site Terra 
Apesar do número de participantes ter sido menor que as anteriores, a III Marcha Nacional contra a Homofobia cumpriu o seu papel. A militância LGBT de suas cidades, muitos viajaram dias para ir a Brasília. Mostrou ao Governo Federal, Senado e ao Congresso Nacional que estamos insatisfeitos e apresentarmos um conjunto de reivindicações.

Mesmo que tenham as paradas do orgulho LGBT e outras formas de ação política, a Marcha Nacional contra a Homofobia já tem uma importância política e simbólica. É momento onde a vanguarda da militância LGBT de várias partes do país se unificam em um ato e articuladas com outros movimentos sociais ocupam as ruas da capital federal, reafirmando a luta por direitos, mitificam a luta e reconstroem a memória política do movimento LGBT.

O dia 17 de maio, dia que a Organização Mundial de Saúde-OMS retira a homossexualidade do CID-Código Internacional de Doenças. Esta data deve ser lembrada com a comunidade LGBT nas ruas. Só assim teremos condições políticas para exigir dos governos que as nossas reivindicações sejam atendidas. Todas as nossas conquistas foram frutos de muitas lutas e envolvimentos de vários militantes. Neste momento, não será diferente. As tarefas para próximo período já estão em curso, o que precisamos é resgatar a garra e a ousadia da militância LGBT brasileira para seguir marchando até que a homofobia seja crime no nosso país.

Carlos Magno é secretário de comunicação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), coordenador do Centro de Referência pelos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Belo Horizonte (CRLGBT – BH) e militante do Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS-MG).