sexta-feira, 20 de abril de 2012

Saiba mais sobre os "ursos" no meio gay e a festa "Bear Boom"

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People! Como sabe, no próximo sábado acontece a festa "Bear Boom", a qual o Muza sorteou corteZia. Trata-se de uma festa não exclusiva, mas onde os ursos do meio gay são muito bem-vindos, digamos assim.

Para saber mais sobre a festa e sobre o movimento ursino o Muza traz uma entrevista excluZiva com o organizador da “Bear Boom”, que antes era “BearFest MG”, Bruno Beltran.

A primeira edição da Bear Boom aconteceu em julho de 2011. A festa do próximo sábado é a 9ª edição. A periodicidade da “Bear Boom” é mensal, podendo haver alguns eventos extras no decorrer do mês.

Para quem não sabe, como explicaria o que significa o termo “urso” no meio gay/LGBT?
Em outros países, o termo “Urso” é usado pra definir um grupo de homens com as seguintes características: gordos, peludos, barbudos e carecas. E além das características físicas, possuem também comportamento extremamente másculo, não sendo aceitas nenhuma alteração estética, a não ser corte de cabelo e musculação. Isso, sem contar com os objetivos sexuais dos encontros originais.

Esse termo foi criado pelos americanos que possuem uma famosa cultura de segregação e esse foi apenas o primeiro termo de vários a serem criados para separar os grupos nos EUA no decorrer do tempo.

Mas aqui no Brasil, desde os anos noventa, a cultura ursina vem sendo difundida, só que nossa cultura é bem diferente da americana. Por aqui, os “Ursos” com o passar do tempo vem se adaptando a nossa realidade e criando força no meio Gay/LGBT. Hoje, podemos dizer que os “Bears” (“ursos” em inglês) do Brasil são os mais democráticos do planeta, porque entendemos que todos que não se sentem inseridos no padrão de beleza exigido ou os que não acham os seus objetos de desejo nos meios gays/LGBT’s “normais” fazem parte do nosso grupo ursino.



2 - Você faz parte do grupo Ursos de Minas? Se sim, favor explicar seu cargo/o que faz no Grupo e o que é o Grupo em si.
Desde o início dos anos 2000, que foi quando conheci essa cultura, eu faço parte do grupo, indo a festas, encontros e eventos dos Ursos. Eu mesmo não sou um Urso, mas sou um admirador ou “Chaser”, que é o termo usado para definir os “caçadores de Ursos”. O que me fez ser conhecido no meio ursino em Minas e no Brasil foi a minha iniciativa de realizar a primeira festa direcionada para os Ursos, em Julho de 2011.

Olha, acho que hoje eu posso dizer que virei um líder sim. Pois em várias situações, independentes da festa, tive que tomar algumas decisões em nome dos Ursos mineiros e por causa disso fui eleito um dos administradores do grupo “Ursos de Minas” no Facebook, e ainda sou o criador do grupo “Bear Boom” também da mesma rede social.



O grupo dos Ursos de Minas é considerado o mais animado, agitado e receptivo do Brasil. Isso aconteceu por causa da realização da “Bear Boom”, e também dos encontros semanais e outros eventos que realizamos. Hoje, temos em BH uma programação fantástica, que em outros lugares não temos notícias. Isso propicia a interação dos membros e novos membros.


O movimento ursino tem até uma bandeira própria. Nos fale um pouco sobre esse símbolo.
Assim como a comunidade LGBT em geral tem na Bandeira do Arco Íris. a representação de seu orgulho de ser gay, nós Ursos também possuímos uma Bandeira representativa. Ela foi criada pelo americano Craig Byrnes em 1995 e foi difundida em 1996. Seu layout é bem parecido com a bandeira LGBT. É composta por listras horizontais, mas as suas cores significam os tons das peles e nacionalidades dos ursos do mundo, e ainda possui uma cópia da pata de um Urso no canto superior esquerdo. A “Bear Flag” é o nosso maior símbolo de orgulho e carinho que nós possuímos.

Por que fazer uma festa como a Bear Boom, que de certa forma, é voltada aos “Ursos”?
A festa não é focada somente nos Ursos. Somos democráticos. Pelo menos aqui no Brasil aprendemos a ser, por causa da nossa cultura tão “misturada”, se posso dizer assim.
Uma festa para Ursos é mais direcionada às pessoas que não fazem parte daquele dito e cobrado “Padrão de beleza”. No caso, os gordinhos, peludos, coroas, gordões, paizões, melhor idade, barbudos, bigodudos, carecas, magros... e a todos os admiradores de todos os perfis citados anteriormente. Todos são como são e se aceitam como tal.

Você acredita que os ursos sofrem discriminação em outros ambientes de sociabilidade gay? Daí a necessidade de se criar uma festa “para eles”?
Assim como nos meios com predominâncias de Heterossexuais, um gordinho, careca e peludo sofre discriminação do mesmo jeito. Isso não é exclusividade do meio gay. Existe um padrão de beleza “Malhação da Rede Globo”, que é o novinho, lisinho, com cara limpa ou de bebê, com barriga de tanquinho e cabelo espetado que é cobrado não só pelo meio gay, mas também pelo meio hétero.

A festa dos Ursos é como se fosse uma contracultura. Ou seja, tem a preocupação em atender as necessidades do público que foge deste padrão de beleza estético e tem características mais másculas e/ou maduras, como barba, cavanhaque, bigode, cabelos grisalhos, peito peludo, careca... como também, atender a necessidades de pessoas como eu, por exemplo, que nunca conseguiu achar o objeto de desejo, ou paquera, dentro dos ambientes gays normais.

Vocês da organização da festa “Bear Boom” (foto abaixo) tem envolvimento com o movimento ursino?
Sim. Todos temos envolvimento. Eu, Bruno Beltran, já participo do movimento desde 2003 e realizei as 8 primeiras festas para os Ursos. O Raphael Ernesto (Wally) também é desta mesma época. Enrico Vargas é quem assina as ilustrações e trabalhos gráficos da Bear Boom. Tem também o Leonardo Silva que é a pessoa que recebe todos em nossos grupos e Redes Sociais.

A comunidade dos Ursos existe há 45 anos e começou em Los Angeles (EUA), onde um grupo de amigos gays, lenhadores, que se chamavam de ursos por brincadeira, se sentiram segregados pelos meios gays “normais” e resolveram fazer uma festa para eles. E daí a idéia se difundiu por todos os países do planeta, sendo que chegou ao Brasil à aproximadamente 15 anos.

O que teria a destacar sobre a festa para o público que ainda não a conhece?

O que sempre destaco sobre a “Bear Boom” é a interação, a receptividade e união do grupo de Ursos de Minas. O que é sempre comentada por todos os Ursos de outras cidades, estados e países que nos prestigiam em todos as festas com a suas presenças.


Organizadores da "Bear Boom" (sentido horário, começando por quem usa óculos escuro): Bruno Beltran, Enrico Vargas, Leonardo Silva e Raphael Ernesto.