sábado, 14 de abril de 2012

ExcluZivo – A comemoração dos 10 anos do Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual (Cellos-MG)

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People! O Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual (Cellos-MG), que tem entre suas atribuições a organização da Parada do Orgulho LGBT de Belô, completou em março uma década de vida! Isso mesmo! Um dos principais grupos militantes sobre questões relacionadas a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais da cidade já tem 10 anos de existência.

Como sabem, no dia 17 de março, foi realizada uma cerimônia celebrativa, que contou com a presença de diversas personalidades importantes relacionadas ao Cellos-MG. O Muza esteve presente e realizou uma cobertura excluZiva, com depoimentos de tais personalidades sobre a importância do Cellos-MG. Abaixo, você pode ler tais falas.

Durante a cerimônia, foi realizada uma mesa de abertura, na qual os presentes falaram sobre a importância do Cellos em si. Em seguida, houve uma apresentação sobre os 10 anos do Cellos-MG, resgatando sua história e conquistas. No final do evento, foi servido um bolo aos presentes.

“É uma entidade que tem em sua marca, a garra e a luta no enfrentamento á homofobia. Em BH, temos problemas com ataques contra gays, mortes... Então, hoje, ter a possibilidade de contar o trabalho do Cellos é fundamental. Vem a somar. Nos ajuda, enquanto governo, a encontrar uma direção certa no sentido de respeito aos direitos humanos e acolhimento LGBT na cidade”.
José Wilson Ricardo, Secretário Municipal Adjunto de Direitos de Cidadania

“Temos uma relação política e de respeito de uma entidade tem com a outra. Isso não é comum. A gente não vê uma relação de parceria, respeito, atividade conjunta (entre grupos gays e lésbicos). Eu vejo o Cellos como um grupo sério, responsável e de luta. Eu penso em 10 anos de luta no existir e resistir em uma sociedade homofóbica, machista, falocrática...”
Soraya Menezes, Presidente da Associação Lésbica de Minas (ALEM)


“Entregamos a organização da Parada ao Cellos em definição dentre a militância da ALEM de construir a Caminhada de Lésbicas pela visibilidade (que é realizada em agosto, que é o mês da visibilidade lésbica). A gente sabe o quanto somos invisíveis dentro deste movimento. A gente organizava a parada, muitas vezes trabalhava muito e não tinha visibilidade. Até hoje você liga a TV e o que aprece é o travesti, o gay... às vezes algumas lésbicas, mas não com a visibilidade que temos com a Caminhada deLlésbicas, por exemplo.

Hoje é possível ver o o quanto de mulheres estão sendo assassinadas. É um reflexo que banaliza a violência. se posso matar uma mulher, eu posso matar um diferente, um gay, colocar fogo em um mendigo. Eu acho que a luta contra a homofobia/lesbofobia também perpassa pela luta contra a violência, contra a mulher, contra esse sistema patriarcal: que é o macho e a mulher como propriedade do homem. Assim, a luta contra homofobia também é a luta contra essa sociedade machista que a gente vive”.
Em 2005, a organização da Parada do Orgulho LGBT de Belô deixou de ser organizada pela ALEM e passou a ser de organização do Cellos MG. Soraya falou mais sobre esta decisão.

“Eu acho que tem uma marca fundamental na existência do Cellos, exatamente em juntar nesta luta LGBT os gays q circulavam por aí, na cidade, mas que não tinham nenhum espaço efetivo de articulação política e de grupo. Assim, acabou se tornando referência na luta LGBT na cidade. Não é a toa que tem uma relação muito forte com a ALEM e com outros grupos e instituições ou com a discussão de, por exemplo, AIDS e outras DST. Neste sentido, o Cellos me parece aglutinador e com um papel muito claro de responsabilidade política em torno da luta pela livre orientação sexual, mas sabendo que ela tem uma abrangência e significado maior”.
Neila Batista, assessora do Gabinete do Deputado Estadual Rogério Correia.

“O papel do Cellos é fundamental. Senão, eu seria mais um na multidão .A oportunidade e o apoio que o Cellos abre pra mim e para minha comunidade é motivo de orgulho. Hoje eu me sinto como uma ponte segura, porque eu tenho outras meninas que chegam a mim para falar dos problemas... porque eu sei o que uma travesti precisa e sua necessidade. Assim, para mim, fica muito mais fácil com o apoio e estrutura do Cellos. Minha obrigação, representando uma instituição, é eu ir ao encontro delas”
Anyky Lima, Vice-Presidente do CELLOS-MG

“O Cellos começa em 9 de março de 2002... mas a minha história começa antes.. eu recebi um convite para ver um filme, e a partir desse filme começou a desenvolver alguns laços de amizade nos quais vi que tinha traços comuns que a gente se identificava... e a partir daí, a gente teve a ideia da demanda da cidade de ter uma ONG gay. De início, o Cellos era uma ONG só de homossexuais masculinos, com o tempo chegou as lésbicas, e, depois, travestis, e com o tempo desenvolveu o Cellos Lés e o Cellos Trans.

Com certeza é motivo de orgulho participar do Cellos MG. É um esforço bem grande. Porque além de militantes, a gente tem o nosso trabalho, estudo, coisas familiares... muita coisa a gente tem q conciliar com a militância. Ser militante não é fácil. Não é, por exemplo, uma profissão que você é remunerado. Mas por outro lado, tem um a força muito grande na gente: a luta por um mundo melhor, sem homofobia.. ideais nossos são bem grandes e aos poucos vamos atingindo alguns deles”.
Mateus Uerlei - Diretor do CELLOS-MG

“É um orgulho fazer parte do Cellos. Sua importância chegou a nível nacional LGBT. Hoje, quando sou secretário de comunicação da ABGLT ( é porque, por trás tem a credibilidade e importância de uma organização como o Cellos, que me credencia a ocupar esse espaço no movimento LGBT nacional.

De alguma forma, o Cellos incentiva o crescimento do movimento e pessoas a seguir a militância. Hoje tem vários militantes e outros grupos surgiram em Minas Gerais. Há depoimentos de pessoas que militam em outras organizações, mas que se despertaram com o Cellos.

O Cellos não é uma ONG assitencialista, é um instrumento de luta".
Carlos Magno (foto abaixo), um dos fundadores do Cellos MG
História O Cellos MG é uma organização não governamental que atuou e atua nas áreas de cultura, educação, saúde e direitos-humanos e cidadania de LGBTS. Iniciou sua trajetória oficialmente em 9 de março de 2002, com o envolvimento direto de Mateus Uerlei e Carlos Magno. Desde 2005, fica responsável pela organização da Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte. Em 2009, conquista uma sede própria, localizada no edifício Acaiaca, no centro de BH.