quarta-feira, 25 de abril de 2012

ColunaZs – “Te sento a vara...”

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Não sei se vocês já viram o meme “Te sento a vara, moleque baitola”, mas esse é o ponto inicial da discussão dessa semana. É quase que uma retomada ao meu texto sobre palavras pejorativas, mesmo que para alguns isso só pareça uma paranoia.

Eu já disse diversas vezes que acho que tudo, absolutamente tudo, pode ser transformado em piada. Desde que você saiba fazer. Piadas devem divertir sem disseminar preconceitos, e isso não significa ignorar assuntos, significa trabalha-los de forma correta. É possível fazer piadas com o próprio preconceito, fazer piadas com gays, heteros, brancos, negros, asiáticos e etc... Obviamente é mais difícil fazer piada com certos assuntos, pois eles são delicados. Aí que entra o meme que citei no começo. É proibido fazer piada com gay? Não, pois isso seria discriminação. Mas a piada foi bem feita? Não. Esse é o tipo de piada que abre espaço para diversas demonstrações de preconceito, violência, estereotipação.

Por mais incrível que pareça, já ouvi aplicações ‘inocentes’ do meme. Mas isso foi inteligência de quem usou a frase estúpida. Apesar do, raro, sucesso em sua aplicação, esse é um exemplo perfeito de piada mal feita.

A piada deve nos fazer rir do cotidiano, e muitas vezes ela ‘ridiculariza’ as pessoas para tal. Sabendo levar na esportiva as piadas mais ácidas, tudo fica bem. A questão é que existem linhas que não devem ser cruzadas. ‘Ridicularizar’ a vida é o que fazemos para rir do que normalmente não tem graça, muitos fazem isso com maestria. O problema é quando a ‘ridicularizarão’ se torna humilhação, destratarão, ofensa. Lógico que pessoas diferentes reagem de formas diferentes, se ofenderão com piadas diferentes. Talvez esse seja o motivo pelo qual é tão complicado utilizar assuntos delicados nas piadas, sem ser taxado de preconceituoso.

É  necessário abrir a cabeça, tanto para ouvi-las, quanto fazê-las. Não existe regra definida, não existe limite explícito, mas existe bom senso. O meme “Te sento a vara, moleque baitola” é um claro exemplo de puro preconceito. Usa violência, uma palavra pejorativa, imagens preconceituosas... Praticamente tudo nele remete a homofobia.

Sou a favor da mudança de significado de palavras, hoje, consideradas pejorativas. A mudança de seu significado pode ser um passo importante na busca por respeito. E frases como a do infame meme representam alguns passos para trás nessa busca.

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!