terça-feira, 13 de março de 2012

ExcluZivo – Saiba como foi o show do Morrissey em BH

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O que esperar de um show do Morrissey? Sem dúvida, ele é uma lenda da música pop/rock mundial. Sobretudo, por ter estado à frente do The Smiths – clássica banda dos anos 80 – e ter conseguido, após o fim da banda, uma carreira solo tão boa e respeitada quanto. Mas também que, da mesma forma como é conhecido por seu talento, ele também tem fama de ser ranzinza, temperamental e como disse uma recente crítica belo horizontina “um chato de galochas”. Talvez pelo seu vegetarianismo radical ou sua língua afiada que não poupa nada nem ninguém. Soma-se a isso, as críticas negativas sobre seus shows na Argentina, antes de vir ao Brasil. Assim, o show de Morrissey em BH, no último dia 7 de março, que abriu a turnê do cantor no Brasil veio repleto de expectativa. Será que ela vai tocar muitas músicas dos Smiths? Será que será um show mediano quanto o oferecido aos hermanos? Será que ele vai fazer aloka e não cantar os hits? De Morrissey, tudo é possível.
Na noite daquela quarta-feira, após show de abertura da cantora Kristeen Young (que lembrava uma Bjork do underground) e da exibição de vídeos (vários e sem necessidade) de influências do próprio Morrissey (como Nico, Brigitte Bardot e New York Dolls), ele estava entre nós. Uma entrada elegante, digna de um lord inglês: primeiramente, fazendo saudação e reverência ao público antes de tocar alguma música. Ele chegou com sua banda – que se mostrou competente ao longo do show – além de também serem um elemento-protesto do cantor, já que todos da banda usavam uma camiseta com os dizeres “Assad is shit", uma crítica ao ditador sírio.
Felizmente, o som do Chevrolet Hall não estava ruim, o que também não quer dizer que estava excelente. Morissey abriu o show com as mesmas músicas que abriu os outros shows na América Latina: “First Of The Gang To Die” e “You Have Killed Me”. Por isso, lá pra 5ª música a expectativa é que fosse alguma do The Smiths. E assim foi! E não qualquer uma, mas sim a clássica “Still Ill”. E como isso não fosse o suficiente para a alegria de muitos ali presentes, a música seguinte foi o clássico da carreira solo: “Everyday Is Like Sunday”, que todo mundo cantou junto. Lindo de se ver! E pelo visto, lindo até para o próprio Morrissey que pareceu genuinamente emocionado. Tanto, que diversas vezes disse que estava feliz de tocar ali. A partir daí, Morrissey já tinha a plateia nas mãos, mas não se acomodou e fez um show bonito e emocionante.

Da carreira solo, ainda veio “You're The One For Me, Fatty”, “Ouija Board, Ouija Board” e “Let Me Kiss You”. Esta última com direito a Morrissey rasgar a camisa que vestia e jogar para a plateia. O que gerou histeria no público. Dos Smiths, veio o momento mais sério do show, e não menos emocionante. Ele cantou “Meat Is Muder”, enquanto nos telões eram exibidas imagens de animais sendo mortos para consumo. Mas a sequencia musical que arrebatou o público foi: “There Is A Light That Never Goes Out” (dos Smiths), “I'm Throwing My Arms Around Paris” (carreira solo), Please, Please, Please Let Me Get What I Want (dos Smiths) e How Soon Is Now? (também dos Smiths). Na sequencia, mais uma camisa para a plateia e mais um bis (“One Day Goodbye Will Be Farewell”) e mais uma camisa para a platéia.

Antes de cantar “Please, Please”, Morissey fez uma declaração de amor para público de BH no melhor estilo Morrissey de ser. Ele disse que estava muito feliz com o show e que isso talvez o fizesse sorrir, chorar ou se matar. Queen Of Drama! Queen, porque Morissey tem toda a pose e presença de uma diva, e Drama, porque ele sabe ser melodramático sem ser clichê. So... God Save the Queen!

Fotos: Artur de Leos/Malab.