terça-feira, 6 de março de 2012

ColunaZs – “Crime homofóbico, qual a diferença?”

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Se você está lendo este texto, provavelmente o achará muito óbvio. Mas este é o tipo de pensamento que devemos passar adiante.

Ao menos uma vez na vida encontramos alguém afirmando que queremos tratamentos especiais. Distorcendo as coisas de maneiras inacreditáveis. Um exemplo é a pergunta “Por qual motivo é pior matar/agredir um gay?”. A resposta é simples, não é pior. “Qual a diferença então?” É diferente quando a motivação é a homofobia.

Qualquer pessoa pode ser vitima de um crime, independente da cor da pele, da sexualidade, da religião, idade e etc. Mas os crimes mudam de figura quando possuem como motivação o preconceito. Se um ladrão, em uma tentativa de assalto, mata a vítima, isso é latrocínio. E é independente de qualquer característica da vitima. Agora se um gay é assassinado por SER gay, isso é um crime homofóbico.

O crime não é homofóbico simplesmente ter uma vitima homossexual, mas sim por que a vitima só se tornou vitima por ser homossexual. A conotação do crime vem da motivação e não da vitima.

Esta é uma discussão simples, e de fácil entendimento. Mas acaba se tornando um grande obstáculo. O pensamento de que queremos tratamento especial quanto a segurança é tão absurdo quanto dizer que um heterossexual foi agredido POR SER heterossexual.

Quantos grupo heterofóbicos saem pelas ruas procurando heterossexuais para bater, e em alguns casos matar. Não existe crime heterofóbico. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, foram 282 ocorrências homofóbicas em 2011.

Todos os crimes são deploráveis, condenáveis. Não importando sua motivação ou quem foi a vitima. Ninguém possui direito de decisão sobre a vida alheia. Estamos longe de erradicar crimes, mas podemos diminuí-los. E diminuir crimes homofóbico é mais fácil do que pensamos. Pois ao contrário da maioria dos outros crimes, o principal combate não é através de policiamento e segurança, o principal combate é através da conscientização. É ensinar a cada vez mais pessoas que a diversidade sexual existe, e não é um problema, que o problema é o preconceito.

A criminalização da homofobia é grande parte disso. E enquanto as pessoas não aprenderem que a diferença do crime está na motivação e não na vitima, e que liberdade de expressão não é desculpa para discursos de ódio, esse passo não será dado.

*Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!