quinta-feira, 15 de março de 2012

ColunaZs – “Cheia de não me toque” (o contato com uma Drag Queen)

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Ei, Every Body.

Da última vez, falei sobre as más maneiras das pessoas e hoje vou continuar. Porque quero que as pessoas se tornem pessoas muito chic, assim como eu. Mas como eu sempre desvio do assunto proposto, pode ser que no final deste texto você se peque lendo algo totalmente distinto.

Sobre os maus comportamentos, um dos que mais pode incomodar uma Drag é o excesso de intimidade. Não me refiro aos queridos que me abordam quase sempre com sua simpatia calorosa. Retrato aqui, o incomodo provocado por meia dúzia de pessoas que creio eu devem ser sem educação em outras situações. Principalmente, ativados pelo auxílio do álcool. Eles ignoram o fato de eu ser um homem vestido de mulher. Que estou ali caracterizada como uma torre de cartas de baralho sujeita a qualquer hora ir a baixo.

Pra se chegar perto de uma Drag queen, conversar, dar beijos, tem suas regras. Todo o cuidado é pouco. O termo “Montação” não é à toa, somos peças de quebra cabeça ambulante e qualquer esbarrão é capaz de transformar uma peruca em uma barba em poucos segundos. Isso não é mágica. É tecnologia a serviço dos sem noção. E isso é tão chato!

Um abração de urso pode ser algo totalmente carinho pras pessoas descaracterizadas, mas pra uma montada, meu bem...é o mesmo que um estupro. Ou coisa pior. Vou deixar bem claro que nunca fui contra o carinho do publico. Quem já me viu em ação sabe o quanto tento ser receptiva. Mas há horas que é importante adequar as ações em graduações.

Um beijinho no rosto pra quem está presa com esparadrapos ao corpo, perucas umas sobre as outras, meias apertadas, cílios postiços, as vezes lentes de contato e Pirelli( Pirelli é nada mais, nada menos que o enchimento que reforça o contorno das curvas de um transformista. Isso se ela não for quase uma travesti com silicone industrial no corpo, que não é meu caso) já seria um gesto de carinho suficientemente bem aceito,né?

Hoje, parece que acordei pra reclamar, meu pai. Outra coisa que me incomoda por demais são coisinhas abusivas que acontecem nas redes sociais. Genteeeee...cadê o bom senso? Geralmente quem trabalha na noite não é de ir nas baladas, porque acabam ficando cansados e a maior diversão é assistir um bom filme junto com o marido. Sim... estou falando mais uma vez de minha pessoa. Aliás, acostumem-se, pois será uma constante quando eu estiver escrevendo algum assunto. Hahahahaha...

O que era mesmo que eu estava falando? Ah sim, das noitadas como diversão e rede sociais. Eu trabalho a 17 anos na noite, tempo suficiente pra chegar a conclusão que as pessoas estão mesmo sem bons modos. Quando alguém que eu nunca trabalhei (Casa Noturna) me convida através do Face Book pra comparecer em alguma festa eu fico muito louca. Caramba! Será que não entenderam até hoje que o meu trabalho é justamente pra comparecer nas festas? Ser hostess, uma atração, uma tequileira... sei lá,o que for da mente do contratante. E o pior que estes são justamente as pessoas que jamais me cutucaram (hahahhaha), nunca curtiram nada da minha página ou mesmo me deram um “oi” no mural.
A estes eu digo: Eu não vou às festas que não trabalho, não adianta me adicionar pra isso.
Eu não vou fazer propaganda quando não for a dos meus queridos afins. Eu acho isso de uma falta de finece... Aff!

É isso aí pessoal, prestem atenção nas dicas da titia aqui, porque sou uma MUZA e quem for esperto pode tirar proveito deste assunto banal e refletir a quão a gente pode ser inconveniente em certos momentos de nossa vida. Conosco e com o próximo.

Só pra terminar, prestem atenção quando você estiver num bate papo via internet quando for ao banheiro ou mesmo dormir. Há sempre uma pessoa esperando alguma letra pra continuar ou terminar a conversa.


Agora vou ali me montar na web cam, porque é hora do show!!!
Dollybeijos
Dolly Piercing é drag queen e cantora (que canta e encanta por onde passa)