terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Região de bares na praça Raul Soares foi cenário de violência homofóbica em BH

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People! Depois do relato de preconceito em um bar de BH, divulgado no Face e divulgado aqui no Muza no colunaZs do Becha Má, o Muza traz outro relato. Desta vez, de uma situação homofóbica, há menos de 10 dias, envolvendo uma região freqüentada pelos LGBT de BH: os bares da praça Raul Soares, região central de Belo Horizonte.

No dia 5 de fevereiro, domingo, a região de bares na Praça Raul Soares, que é muito freqüentada pelo público gay de Belo Horizonte foi cenário de violência, física e verbal, cuja motivação foi a homofobia.

Por volta das 18h, dois homens, aparentemente bêbados, sentaram próximo a um dos bares da região e começou a ofender e insultar as pessoa que lá estavam. Pessoas essas, em sua maioria, senão totalidade, composta por gays, lésbicas e travestis. Dentre os xingamentos proferidos pelos homens estavam falas como “raça nojenta”, “desgraçados”, “tem que morrer”, “se meu filho fosse assim eu mandava matar”.

Os xingamentos foram constantes. A maioria, apesar de incomodada, ignorou. Mas três homens reagiram aos xingamentos. Um deles era capoeirista e os outros dois pegaram pedaços de madeiras e partiram para cima dos agressores verbais. Após um breve momento de violência física, os que fizeram a provocação saíram correndo.

Mas pouco tempo depois, eles retornaram, também com pedaços de madeira nas mãos. Ao retornarem, além dos dois homens que já haviam ido em direção a eles, outras pessoas que compunham o público do bar também levantou para brigar. Entretanto, a polícia já havia sido acionada por pessoas presentes. A violência não foi maior, porque os dois homens, que iniciaram os xingamentos e ofensas, saíram correndo.

A polícia, pouco tempo depois, chegou ao local e foi informada pelas pessoas presentes sobre a insegurança que o público sente na região devido ao preconceito. M.S., de 27 anos e estudante de relações públicas, que preferiu não se identificar ao Muza e foi fonte para a notícia, é freqüentador dos bares da região e disse que situação como essa não demoraria a acontecer. “Já aconteceu de passar pessoas de carro, xingando, zoando. Já fiquei com receio de algo do tipo acontecer. De alguém passar por lá e jogar algo, por exemplo”. Ele ainda relata que a sensação geral era de revolta, já que as pessoas estavam ali apenas se divertindo e curtindo. “Os gays já estão cansados de apanhar. Não gosto de violência. Mas estou cansando dessa situação. Chegou um ponto que não dava para ignorar os homens mexendo com a gente”, ressaltou M.S, que estava acompanhado do namorado e de amigos.

Uma das reações das pessoas presentes aos dois homens que ficaram xingando e ofendendo foi uma grande vaia geral. Mas vaias não são suficientes para impedir uma agressão maior. É justamente isso a preocupação de S.P., de 38 anos e funcionária pública, estava no local e também não quis se identificar, disse que ficou com medo durante todo o momento. “Isso nunca me aconteceu , apesar d´eu freqüentar muito o meio (gls). Foi a primeira vez que presenciei algo do tipo e fiquei assustada”, delcarou S.P, que estava acompanhada da namorada e amigos. Para ela, algo relacionado a segurança pública no local deve ser feito o mais rápido possível para evitar mais complicações. “Não temos segurança para freqüentar esses bares. Tem que ter um policiamento. Vai que alguém resolve passar no local e atirar? Como fica? O que podemos fazer? Nada.”, observou.

O Muza buscou na polícia algo oficial sobre o ocorrido, mas não foi feito um Boletim de Ocorrência sobre a situação, apesar da polícia ter chegado no local, conforme descrito acima.



* imagem meramente ilustrativa.