domingo, 5 de fevereiro de 2012

Polêmica? Música sertaneja diz que dois homens juntos é decepção e indecência

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Bee! Você curte sertanejo? Se a resposta for não, talvez vocês não conheça a música “Bruto, Rústico e Sistemático”, da dupla João Carreiro e Capataz que traz na letra menções à homofobia e machismo. Bem, tal música tem dispertado a ira da militância LGBT pelos versos abaixo:

“Sistema que fui criado ver dois homem abraçado pra mim era confusão/Mulher com mulher beijando/Dois homens se acariciando, meu deus que decepção/Mas nesse mundo moderno não tem errado e nem certo achar ruim é preconceito/Mas não fujo à minha essência pra mim isso é indecência/Ninguém vai mudar meu jeito”.

A letra da música também ataca as mulheres:

“Por mim faltaram respeito, na muié eu dei um jeito, corretivo do meu modo/No quarto deixei trancada, quinze dia aprisionada e com ela não incomodo”.

A assessoria da Dupla divulgou uma nota afirmando que os dois não são homofóbicos, que há uma tentativa da ONG ABCDS, de Santo André, que chamou a atenção da música ao site Mix Brasil de causar polêmica e que os dois são apenas apaixonados por música sertaneja. Veja a nota abaixo na íntegra.

“Saiu no Mix Brasil que a militância LGBT considera homofóbica a letra da música da dupla João Carreiro e Capataz, “Bruto, Rústico e Sistemático”. O assunto foi levantado ontem (2), pela ONG ABCDS*, de Santo André.

Quanto à questão só podemos lamentar tanta vontade de causar polêmica com algo que é tão claramente inocente e óbvio. A música retrata um personagem, um “caboclo” simples, como diria João Carreiro que é autor da canção assim como da maioria das músicas que canta, que não aceita e não entende as coisas que questiona na letra.

João Carreiro e Capataz não são homofóbicos, não querem ofender ninguem com suas canções. São só dois apaixonados por música sertaneja, suas histórias, seu palavriado e seus personagens e prova disso é que acabam de lançar um dos trabalhos mais magníficos do segmento, uma verdadeira obra de arte em homenagem à cultura caipira, o Lado A Lado B que deveria ser ouvido por todo aquele que admira as tradições da música sertaneja.”

Curiosamente, a música foi lançada em 2009 e chegou a ser trilha sonora de uma novela da Rede Globo. Na época, o cantor João Carrreiro declarou: “a música é só uma história, e o personagem principal é um sujeito antigo, caipira, como se fosse um avô nosso. A letra só reflete o pensamento do sujeito rústico dessa época, é só uma história, não é uma opinião minha.”

É totalmente compreensível que fatores culturais levam a compreenderem tais formas de pensar e cantar, mas são esses mesmos fatores que fazem as pessoas acharem normal uma música falar sobre isso. Mas não por tais fatores culturais, que deve-se subestimar o poder de influência que uma música pode ter e se confundir liberdade de expressão com o direito de manifestar pensamentos e/ou ideias preconceituosas.

Abaixo, você pode ouvir a música