quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Deputados evangélicos querem legalizar a "cura gay" + Bispos da Igreja Universal podem ser presos

Loading

People! Deputados da bancada evangélica da Câmara apoiam o projeto do Deputado João Campos (PSDB-GO) que prevê intervenção no código do Conselho Federal de Psicologia, que estabelece que normas de atuação dos psicólogos em relação à orientação sexual dos pacientes.

O código em questão veta "qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas". Está proibido qualquer tipo de "ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados". Além disso, está proibida qualquer manifestação pública de psicólogos no sentido de "reforçar preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica".

O conselho de psicologia questiona se o projeto pode interferir na sua autonomia. Para o presidente do órgão, Humberto Verona, estão lá normas éticas para combater “uma intolerância histórica”.

Roberto de Lucena (PV-SP) , pastor e deputado diz que "cruel é deixar um homem em conflito ao léu psicológico". e diz que os pais que os pais têm o direito de mandar seus filhos para redirecionamento sexual.

Apesar de discurso cuidadosos dos deputados afim de velar o propósito do texto, o autor do projeto adimite que defende um tipo de terapia para tratar da homossexualidade.

"- Embora não esteja discutindo isso, eu entendo que é uma questão comportamental, e o homossexual, maior de 18 anos, que queira buscar esse auxílio de reorientação (sexual) deve ter esse direito. Nada imposto, nada obrigado." - disse o deputado.

Em outro ponto, o deputado reconhece não se tratar de uma doença:

"- O que a ciência continua investigando é se o homossexualismo é genético ou se é comportamental. Nestas duas vertentes, nenhuma delas é doença, portanto, não comporta cura."

O Projeto de Decreto Legislativo de Campos está sendo avaliado pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara e, em seguida, passará pela aprovação na Comissão de Constituição e Justiça.

O assunto promete ser ampliado com a criação de audiências públicas. Na câmara e no Senado, assuntos ligados aos homossexuais são tratados com cautela, qualquer declaração ou projeto repercute de forma positiva ou negativa entre as legendas e na opinião pública. Infelizmente, às vezes a criação de leis de proteção e outras leis afirmativas são adiadas, pois não são bem formuladas e a "intuição política" orienta para que esses assuntos não sejam tratados para não comprometer partidos e políticos. Propostas mal elaboradas, representantes sem o mínimo de conhecimento das condicionantes sociais, interesses políticos e a interferência de líderes religiosos na política brasileira impedem projetos de grande relevancia para a sociedade de irem para frente e não é só assuntos relacionados aos gays, mas também como saúde pública, educação e programas sociais.

Enquanto o assunto é tratado de forma cautelosa nos bastidores da política nacional, outras medidas são tomadas aqui fora: Bispos da Igreja Universal podem ser presos por "curar" um homossexual em programa de TV.

O Ministério Público do estado de São Paulo recebeu denúncia de "charlatanismo" feita pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), após um programa apresentado na IURD TV, em que o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo realiza um procedimento de "exorcismo" em que um rapaz identificado apenas como Leandro. Nele também aparece o bispo Clodomir Santos que conversa com o demônio e o expulsa depois de saber que o jovem se tornou gay por ser vítima de um “trabalho de macumba” de um vizinho contra ele.

Durante o processo de "cura", o jovem se contorce, grita e se ajoelha no chão enquanto os bispos começam a gritar “queimando, queimando, queimando” e o exorcismo é feito. O jovem volta ao seu estado normal e diz que se sente melhor. Depois, agradece por ser libertado pelos bispos da Universal. O vídeo já circula na internet há alguns meses e pode ser conferido no final deste post.

O Ministério público ainda não se manifestou, mas se caso forem condenados, os envolvidos podem pegar de dois à três anos de prisão.