domingo, 26 de fevereiro de 2012

Depois de 15 anos, Página GLS do jornal O Tempo não será mais publicada

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People! Depois de 15 anos, a página GLS, publicada todos os sábados no jornal O Tempo não existirá mais. Esta notícia, que por um lado nos faz ficar triste com a perda de um espaço fixo em um jornal de grande circulação e importância em Belo Horizonte e região, por outro, nos deixa alegre por saber que as pautas serão incorporadas ao jornal como um todo, algo que, por sinal, já vinha sendo feito pelo jornal. Tirando assim, as questões e pautas GLS de um lugar específico, mas para fazer parte do todo. De qualquer forma, a Página GLS, criada em 1996, cumpriu o seu papel de visibilidade e informação LGBT.

Abaixo, você pode ver na íntegra a matéria divulgada na última edição a Página GLS, em matéria de Daniel Toledo. Na coluna de Oswaldo Braga, fundador do Moviemento Gay de Minas (MGM), também incorporada a página GLS há 5 anos, ele também despediu-se do espaço e falou sobre sua importância: “A princípio pensadas para garantir a abordagem de temas como a luta dos gays e dos negros ao menos uma vez por semana nas páginas do jornal, perdem o sentido quando passam a ser incorporados pelas outras editorias e se tornam pautas diárias... Em 2007, quando fui convidado... O desafio seria, portanto, aproveitar esse espaço e desmistificar o cidadão gay e todos os estereótipos construídos em anos de cultura homofóbica e machista. Ao mesmo tempo, a coluna deveria conversar com os homossexuais e atraí-los para o debate.”

Há 15 anos, quando o jornal O TEMPO chegou ao mercado, o movimento LGBT ainda engatinhava no país. Para se ter uma ideia disso, a Parada Gay de São Paulo, hoje a maior do Brasil, reuniu algo em torno de 500 pessoas naquele ano, passando quase despercebida aos olhos da mídia.

Atualmente, todos sabem, a situação é bastante diferente. Mesmo que muitos degraus ainda precisem ser galgados, o movimento cresceu em todo o país. A reboque dele, cresceu o número de notícias e reportagens relacionados ao universo LGBT, as quais têm ocupado não apenas as páginas policiais, como se via há alguns anos, mas também seções de cultura, política e economia.

É diante desse panorama que esta página, criada pelo jornalista Marco Antônio Lacerda em 1996, chega hoje à sua última edição. O Magazine, tal qual os demais cadernos deste jornal, incorpora a temática LGBT à sua agenda diária, regida pelo fluxo e a relevância dos acontecimentos.

Frequente interlocutor desta página ao longo de sua história, o presidente da ABGLT Toni Reis reconhece o novo caráter dos tempos atuais e a necessidade de outras formas de apresentá-los como notícia. "É fundamental que essa temática esteja em todos os espaços do jornal, assim como importante que algumas abordagens específicas sejam preservadas. O TEMPO tem sido um grande vetor de cidadania, direitos humanos e conscienti-zação da comunidade LGBT. É por meio de iniciativas como essas que se cria, de fato, uma comunidade", defende Reis, militante desde o início da década de 1980.

Minas Gerais. Coordenador do Movimento Gay da Região das Vertentes, em São João del Rei, Carlos Bem ainda está na casa dos vinte anos, mas já acumula dez de militância e reconhece consistentes transformações na quantidade e na qualidade dos espaços midiáticos atualmente conferidos a causa LGBT. "Há uma década, a população LGBT só tinha visibilidade em páginas policiais ou por meio de grandes caricaturas na TV. Não havia, por exemplo, reportagens sobre cidadania e direitos humanos", relembra.

"Nos dias atuais, por outro lado, o movimento consegue se organizar e se integrar ao discurso da mídia, que tem sido um palco muito importante para tratar da violação dos direitos da população LGBT, por exemplo. Se hoje em dia essa questão está sendo debatida pela sociedade, a imprensa certamente tem muito a ver com isso", completa Bem, também coordenador da ArtGay Jovem.

Opinião semelhante tem Carlos Magno Fonseca, coordenador do Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania LGBT da Prefeitura de Belo Horizonte. "Sem dúvida nenhuma, boa parte dos meios de comunicação têm se tornado fortes aliados no combate à homofobia. Na minha visão, preconceito se combate por meio de convivência e informação. E para todos aqueles que não tem um amigo ou um parente LGBT, a informação continua sendo o melhor caminho", sintetiza.