quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ColunaZs – “Visibilidade e Cidadania (trans), já!"

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Elas não estão nas escolas e nem trabalhando numa repartição pública, nas agências bancárias, nas universidades, nem mesmo nas inúmeras lojas de algum shopping center. Raramente, as vimos à luz do dia. As travestis e transexuais, na sua maioria, só saem à noite e vivem do mercado do sexo. De uma sociedade preconceituosa e transfóbica, receberam a sentença de somente ocuparem as esquinas escuras e a prostituição ser a única forma de sobrevivência.

Mas está na hora de acabar com esta segregação. Foi neste caminho, que foi criado no país, o dia 29 de janeiro, o “Dia da Visibilidade de Travestis e Transexuais”. Data em homenagem à primeira vez que o Ministério da Saúde, através do Departamento Nacional de DST-AIDS lançou uma campanha nacional voltadas às travestis e transexuais, intitulada: “ Travestis e Respeito”, cujo o objetivo era sensibilizar a sociedade sobre o preconceito transfóbicos e apontar os primeiros passos para a cidadania desta comunidade.

A partir daí, o movimento social de travestis e transexuais tem conseguido algumas conquistas. O nome social, uma das reivindicações deste movimento, já foi instituído no SUS. Além disso, tem resoluções para o nome social ser usado nas escolas de Belo Horizonte e nos órgãos públicos do estado mineiro. Paulatimanente, as travestis tem garantidas as suas principais reivindicações, sendo incluídas em várias políticas públicas e, aos poucos assimilada pela sociedade.

Mas ainda é pouco. O quadro de preconceito, exclusão e violência, que acomete cotidianamente as travestis e transexuais, é extremo. É urgente mudanças imediatas. Desde os olhares de repulsas, as agressões verbais, violência física e até os assassinatos. É o segmento, entre os LGBT- Lésbicas, Gays, Bisexuais e Travetis e Transexuais, que mais sofrem discriminação e violência.

Mais do que a visibilidade, é fundamental acostumarmos vê-las de verdade em todos os espaços públicos da cidade. Dever tornar-se corriqueiro encontrarmos travestis e transexuais nas escolas, na política, nas praças públicas, na prostituição, enfim em todos lugares que elas desejarem estar. O que nos resta, respeitá-las e tratá-las com dignidade.

O dia 29 de janeiro, é uma data especial, momento de comemorarmos a luta das travestis e transexuais. Mulheres que merecem viver, amar e serem felizes como outra qualquer do planeta.

Carlos Magno é secretário de comunicação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgênero (ABGLT), coordenador do entro de Referência pelos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Belo Horizonte(CRLGBT-BH) e militante do Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS-MG).