quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ColunaZs – “Ame o próximo, não o homossexualismo”

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Um dia desses, em um daqueles momentos em que a gente fica expiando as mensagens compartilhadas do Facebook, vi um blog que fazia uma crítica à postura do deputado Jean Wyllys. Os comentários eram de todos os tipos, como “O que o cabresto faz com as pessoas, né? Não conseguem ler a vida... tadinhos... Tenho dó!”. As críticas tecidas por alguns componentes do fórum chamado “Anti Nova Ordem Mundial”, que foi publicado e comentado, acabou fazendo muita gente perder a elegância e exagerar no comentário.

A questão é que o pessoal que criticou o deputado no fórum é cristão, daquele grupo mais conservador. E uma das pessoas que comentou, acredito eu, também o era, pelo menos em certa medida, já que, em certo momento da troca de farpas disse algo que me fez parar para pensar e escrever este texto: “a Igreja não aceita o homossexualismo, não o homossexual”, quer dizer (a frase ficou confusa), o que é condenável é o homossexualismo, e não o homossexual.

Vocês conseguem ver a diferença? Explico com as palavras da pessoa, que me ajudou a refletir melhor: a Bíblia diz para que amemos ao próximo, e não diz “ame o seu próximo se ele for gay, negro, vermelho, rico ou pobre”. É amar o ser humano indistintamente.

Eu tiro o chapéu para Jesus Cristo, sem ironias. Ele mostrou que antes de qualquer definição, rotulação ou interpretação, devemos amar o próximo. A questão é que esse próximo foi mostrado a nós, por tradição, por meio de concessões: “Ame o próximo, mesmo que seja uma prostituta, um ladrão, um pederasta e etc.”. Aliás, não seria relevante dizer “Ame o próximo” em qualquer contexto, a não ser em um caso em que haja desamor ou esse próximo a ser amado é condenado por alguma razão social. Ou será que durante uma conversa de amigos num shopping um religioso se aproximaria e diria “Ame o próximo” gratuitamente?

Analisemos as circunstâncias e voltemos à frase. Devemos amar o ser humano, mas o que a pessoa revela é que não devemos amar quaisquer atos, ações e posturas desse ser humano. Mas que atos? São aqueles que justificam o uso da frase, é o contexto. No caso aqui relatado, a homossexualidade (ou homossexualismo, não vamos entrar no assunto dos sufixos) é entendida como um ato, uma postura desprezível pela sociedade religiosa, algo que mereça ser purificado com o amor do próximo, o amor cristão. Essa interpretação não aconteceria, provavelmente, se fosse aplicada a um contexto de heterossexualismo/heterossexualidade, não é?

Ora, e homossexualidade é apenas um ato, uma postura? E quem se identifica como homossexual ou quem faz dela sua identidade? Deve se envergonhar? Ou deve se contentar com a compaixão que, segundo li há alguns poucos anos, as escolas católicas espanholas vão ensinar às crianças a terem para com os gays? Mas para ser homossexual não tem, no mínimo, que “praticar” a homossexualidade (pelo menos no entendimento comum de homossexualidade)?

Eu vejo ranço do desviado e do invertido do século XIX, aquele que é assim por questões congênitas e precisa de cura e, nesse caso, uma cura espiritual. Ele precisa ouvir sobre o amor ao próximo e precisa saber que, antes de ser homossexual, ele é ser humano. No entanto, ele pratica o homossexualismo. E isso é reprovado. E ponto.

Alguém na discussão teve a mesma visão que eu e jogou sua palavra com as mesmas cartas: “São pontos de vista. E eu acho que entendo o seu. Em partes, não aceito a religião, mas aceito os religiosos. E eu falo em meu nome.”. É, acho que perderam a elegância...

* Texto de Daniel Mazzaro Vilar de Almeida, mestre em Linguística Textual. Sua monografia pode ser lida clicando aqui!