sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Saiba a história q inspirou a festa Freakshow, q acontece hoje e ajudará um gay vítima de preconceito

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People! Como sabem, hoje, 13 de janeiro, acontece a festa Freakshow, que terá toda sua renda para um jovem que foi vítima de preconceito e agressão física em sua casa. No primeiro dia de 2012 sua mãe descobriu que ele era homossexual e – como acontece em muitos lares e famílias, por mais incrível e distante que possa nos parecer – ele foi agredido fisicamente e acabou saindo de casa.

O Muza conversou com J.P. – como o iremos identificar, já que, obviamente, ele pediu para preservar sua identidade – e compartilha sua história para que quem a conhecer possa se informar, se inspirar e aprender. Optamos por contar toda a história em forma de relato. De uma forma geral, mostra como o preconceito em relação ao homossexual e a homossexualidade gera sofrimento não só para quem é homossexual, mas para toda a família e as pessoas próximas.

J.P. tem 20 anos e está na faculdade. A mãe de J.P. tem 43 anos. Ela é católica, mas foi criada em família protestante. Durante o ocorrido, estavam na casa de J.P. dois primos, sua irmã e parte do tempo, seu pai.

"Fui no primeiro dia do ano, no começo da noite, na casa dos meus pais em uma cidade do interior. Eu me descuidei do computador, e saí para falar ao telefone, largando tudo aberto (facebook, MSN) e minha mãe por mais de duas horas mexeu em tudo e deu todas as minhas conversas, principalmente do facebook. Assim, ela descobriu que eu sou gay. Ela finalmente teve certeza do que já desconfiava há tempos.

Quando eu voltei ao computador, ela veio até mim e começou a bater na minha cara, dizendo que ia me matar, perguntando se eu não tinha nada para contar pra ela... eu tentei conversar com ela, mas nada fazia entrar na cabeça dela que eu era normal sendo gay.

Ela me agrediu muito e várias vezes, de tempos em tempos, ela vinha ao meu quarto e batia mais e falava mais coisas. Me acusou de ter destruído a família e que eu ia causar uma desgraça muito grande, que eu tinha estragado minha vida e a deles.

Durante os intervalos das “visitas” dela ao quarto, eu me comunicava com amigos pelo celular, pedindo ajuda, e opinião sobre o que fazer. Depois de ter ficado desde às 20h da noite (que foi quando eu voltei ao computador e ela começou tudo) até as 15h do dia seguinte sem água, sem comida, sem acesso ao banheiro, sem nada, eu saí de casa com a ajuda de minha irmã que me deu o dinheiro que eu precisava pra poder fugir (ela tinha 100 reais, e me deu tudo o que ela tinha pra eu poder ir embora. ela tem 14 anos de idade). eu juntei o que tinha de roupas no quarto, coloquei numa mala e levei embora. Deixei mais da metade das minhas roupas pra trás, só pude pegar uma bota e o chinelo que eu tinha no pé.

Minha mãe tomou meu notebook, depois de me fazer apagar toda " a nojeira" que estava escrita no Facebook. Eu saí de casa correndo, literalmente, tendo apenas o dinheiro que minha irmã me deu. Corri até um ponto de ônibus fora de qualquer rota que meu pai faria para ir atrás de mim e fui de ônibus até à rodoviária. Chegando lá, não consegui um ônibus para Belo Horizonte com rapidez, por isso fiz a escolha de vir de van clandestina para BH.Esperei a van por quase uma hora, morrendo de medo de meu pai aparecer para me buscar. A van custou 55 dos 100 reais que eu tinha.

Cheguei na rodoviária de BH e meu “amigo íntimo” me buscou e me levou pra casa dele, e me acalmou, tomou conta de mim. Fiquei lá uns quatro dias e depois fui para a casa de uma amiga, onde estou agora. até não sei quando.

Minha mãe tem tentado falar comigo desde que saí de casa, tentando fazer com que eu " volte para o caminho correto". Mas com a histeria toda que ela está e depois de ter sido agredito tantas vezes seguidas, eu não falei praticamente nada com ela, e apenas por mensagem".

Sair do armário

"Eu planejava falar que era gay para minha família, mas em um futuro distante, quando eu tivesse minha estabilidade financeira e emocional garantida pra isso. Eu sempre ouvi desde muito tempo todo o tipo de piadas homofóbicas, e uma vez minha mãe disse que jamais aceitaria isso na casa dela quando a gente estava vendo juntos a um programa na TV que tinha um personagem gay.

Eles – minha família - terem descoberto tudo tirou um peso muito grande das minhas costas, porque viver uma vida dupla, para esconder quem eu realmente sou, me matava aos poucos. Se alguém quer contar para a família, deve sim falar quando se sentir preparado. A falta de preparo me deixou sem saber exatamente como lidar e como fazer. O preparo é tudo".

Conselho

"Se alguém passou por uma situação parecida ouestá passando eu diria para ter força, e se manter calmo, mesmo sendo difícil. Eu sei bem como é tensa a situação, mas se apoiar nos amigos é tudo. Abrir os braços para quem está disposto a ajudar e bola pra frente. Ficar parado se lamentando não vai resolver a situação.

No começo, eu tive muito medo sobre tudo o que poderia acontecer, sobre as consequências de tudo isso. Mas agora, eu estou mais em paz, e me sinto bem. Eu agora vi quem são meus amigos de verdade, e que eu posso contar com muita gente, e até posso contar com pessoas que nem conhecia muito bem, ou até mesmo nunca vi, que se dispuseram a me ajudar.

O que me confortou foi o apoio dos amigos. Eu pude ver quem são realmente meus amigos e que eu tinha com quem contar.O “meu amigo íntimo” foi essencial em todo o processo, e continua sendo. Sem ele, sem o acolhimento dele, o apoio e o carinho dele, eu não teria conseguido. Foi por causa do apoio dele pelo celular que eu tive força pra vencer meu medo, fazer a mala e ir embora. Eu estava no telefone com ele durante toda a fuga, até chegar aqui em BH, e sem a voz dele no meu ouvido me dando força e apoio eu não sei se teria conseguido vencer esse hidra de lerna da minha vida".

A Festa

"Foi iniciativa de um amigo. Eu me sinto extremamente feliz e lisonjeado com a atitude dele. Eu não tenho palavras pra agradecer tudo o que estão fazendo por mim".


Atualmente, J.P. conseguiu um trabalho, mas continua na casa da amiga. Ele pretende ir para uma república, assim que receber seu primeiro salário.



Reforçamos o convite para festa Freakshow, que acontece hoje, a partir das 23h, na boate Up E.Music (Avenida Getúlio Vargas, 1234, Savassi, Belo Horizonte).