terça-feira, 13 de dezembro de 2011

ColunaZs – “Paradoxo Gay”

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Essa semana eu me inspirei em 3 coisas, uma delas vai ganhar até um texto exclusivo. O primeiro a me inspirar foi o Aaron Hicklin com seu texto para o The Guardian(em inglês), a segunda foi minha querida Kathy Griffin com o 8º episódio da 5ª temporada de My Life onthe D-list. E ambos contaram uma história que já era conhecida minha, que me emociona sempre, a história Matthew Shepard. Uma história que ainda virará texto aqui.

No meio destas três inspirações um ponto em comum me chamou a atenção, um ponto que já discuti milhares, o paradoxo que vivemos hoje. Não digo quando comparamos países com outros países, mas sim dentro dos próprios, dentro dos estados, das cidades.

Como Aaron já diz no título de seu texto“2011: um bom ano para ser gay”, cita a evolução que já tivemos, o que já alcançamos e também como ainda enfrentamos grande preconceito. Em certos locais, principalmente em grandes cidades, é mais fácil de observar tal paradoxo. Dependendo de onde estiver me sinto confortável, seguro, pois sei que a chance de sofrer com discriminação é quase nula, mas um esquina errada e isso muda de figura. É possível viver, a maior parte do tempo, dentro dessa bolha de – talvez falsa – segurança, eu vivo. Jamais me esqueço de todos os problemas, eles existem, mantenho minha luta. Mas é fácil esquecer a gravidade deles quando se vive em um ambiente tão receptivo.

Fora destes locais é fácil encontrar pessoas apanhando, sofrendo bullying, sendo expulsas de casa. Isso não é passado, e não está perto de ser. A história de Matthew sempre me lembra do quão cruel à homofobia pode ser, para quem não conhece ele foi amarrado numa cerca, espancado e deixado para morrer, entrou em coma e morreu dias depois. Motivo? Ele era gay e entrou em um bar, lá tinham homofóbicos.

Se eu posso andar de mãos dadas com meu namorado no shopping, ou cumprimentar meus amigos com beijinhos, existem pessoas que serão agredidas sob a simples suspeita de homossexualidade. Existem pessoas nesse mundo que acreditam ser capazes de decidir seu futuro, se você tem direito de viver, de ser feliz.

Aos poucos nossa imagem é aceita, aos poucos vamos mudar a percepção das pessoas a respeito, aos poucos faremos com que percebam que tudo isso é natural. Os personagens gays estão se aproximando mais da realidade, tem relacionamentos, vidas, enfrentam preconceito, querem amor. Estão deixando a imagem de amigas engraçadas das peruas, os gays que namoram mulheres, os gays que ficam eternamente sozinhos. Você notou isso? Imagine a diferença que isso teria feita para você, enquanto crescia. Pequenas coisas como esta ajudam a mudar o mundo.

Não acho que ninguém é obrigado a se tornar ativista dos direitos LGBT, afinal nossa sexualidade não é escolha. Mas o mínimo de envolvimento deve existir, o mínimo de informação. Quem sabe você não decida lutar pelos seus direitos. Ontem foi Matthew Shepard, amanhã pode ser você.

* Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!