quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ColunaZs – “AIDS é assunto de gay, jovens e de todos”

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Passaram-se mais de 30 anos dos primeiros casos de AIDS no país, a doença retorna para ser um dos principais assuntos da comunidade gay. No princípio da epidemia, houve o estigma de que a AIDS era doença de gay – chamada pejorativamente de câncer gay – e a partir de ações constantes, principalmente do movimento social LGBT, este preconceito foi quebrado, apresentando novo perfil da doença, a AIDS se tornou assunto de todos, sem distinção de gênero, raça, classe social, orientação sexual, etc. É, possivelmente, a doença mais democrática do mundo.

O Ministério da Saúde, através do Departamento Nacional de DST-AIDS e Hepatites Virais, por ocasião do Dia Mundial de Luta contra AIDS, divulgou recentemente os novos dados sobre o perfil das pessoas infectadas pelo vírus HIV. Com este novo cenário epidemiológico a comunidade gay e travestis devem se preocupar. Não é alarde. Nem terrorismo. Mas é uma nova realidade. Jovens gays e travestis aparecem como aumento nos números dos infectados.

No caso dos jovens homossexuais, a pesquisa identificou que aqueles entre 15 e 24 anos tiveram um aumento em 2010 em relação a 2009 do número de infectados, indo de 24,3 para 26,9 por 100 mil habitantes. Segundo o estudo, a probabilidade de infecção de homens gays, de 18 a 24 anos, é 13 vezes maior do que a de rapazes heterossexuais.


Diante deste cenário, o Ministério da Saúde lança uma campanha voltada para o público gay. É primeira vez que uma campanha institucional do Governo Federal aborda os gays. “A AIDS não tem preconceito”, esse é o mote da campanha de 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a AIDS, que será lançada durante a Conferência Nacional de Saúde, que acontece de 30 de novembro a 4 de dezembro de 2011, em Brasília.

A publicidade busca alertar a juventude e, em especial os homossexuais, sobre situação do aumento da infecção e também apontar ações para conscientização da prática do sexo seguro. A camisinha continua sendo o carro-chefe como forma de prevenção. E, além da vinculação em âmbito nacional, a campanha traz elementos novos. A internet, através das redes sociais e várias mídias digitais, serão bem utilizadas, tudo para atingir a geração de homossexuais jovens.

A campanha de 1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra a AIDS, é importantíssima. Mas não basta. É preciso uma ação atemporal e conjunta, envolvendo escola, poder público, movimento social LGBT, entre outros, para que as discussões sobre sexualidade, comportamentos sexuais, prática de sexo seguro, mudança de atitudes, sejam mais freqüentes.
Denominada de geração Z, pessoas que nascem na era digital, e aí incluímos os gays, possivelmente não precise de mais informações, já as tem. Mas há uma carência, certamente, de espaços onde se discutam com tranqüilidade e sem preconceitos, questões fundamentais para saúde sexual. Certamente, este é o desafio para a nova geração.

Carlos Magno é secretário de comunicação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgênero (ABGLT), coordenador do entro de Referência pelos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Belo Horizonte(CRLGBT-BH) e militante do Centro de Luta Pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS-MG).