terça-feira, 29 de novembro de 2011

Exposição sobre gays e transexuais de Nan Goldin é adiada no Brasil e gera polêmica

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People! Uma exposição com as obras da fotógrafa norte-americana Nan Goldlin – que traz imagens das comunidades gays e transexuais de cidades dos Estados Unidos, como Nova York e Boston – foi primeiramente cancelada e depois adiada no Rio de Janeiro. A notícia foi divulgada pela própria curadora da exposição, a carioca Lígia Canongia, através de uma carta aberta em seu facebook e seu mailing.

O local o qual seria realizada a exposição, o Oi Futuro, alegou que a exposição trazia fotos de crianças nuas e seminuas e assim, feria o Estatuto da Criança e do Adolescente. Já Lígia Canongia interpretou como censura. Por fim, a exposição foi transferida para o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro para 13 de fevereiro. O patrocínio do Oi Futuro foi mantido.

Nan Coldin realiza desde o final dos anos 70 um trabalho focado na documentação da subcultura gay nos Estados Unidos. Segundo matéria da Veja, Nan Goldin é conhecida por levantar discussões acaloradas ao expor fotos de crianças nuas ou seminuas junto aos pais em plena atividade sexual, além de viciados em drogas com seringas presas aos braços. A artista defende as fotos das crianças como testemunhas do sexo com o argumento de que a maldade está nos olhos de quem vê.

Abaixo, você pode ver primeiro a carta de Lígia Canongia e em seguida o comunicado do Oi Futuro.

“Em reunião ontem, no Oi Futuro, fui comunicada pelo curador e pela direção do instituto que a exposição de Nan Goldin estava suspensa. Em ato arbitrário, prepotente e desrespeitoso com a artista, os curadores, e sobretudo, com a obra de arte, a mostra foi CENSURADA. A artista chegaria ao Rio dentro de 20 dias, e a exposição se inauguraria em 09 de janeiro, ou seja, faltando praticamente 1 mês. A direção e a curadoria dessa casa simplesmente não sabiam quem era Nan Goldin e o conteudo de suas imagens, tomando conhecimento delas apenas no final de outubro, embora tenham selecionado a exposição em edital de um ano atras. Um trabalho de quase dois anos foi jogado fora, sumariamente. Atos como este so se inscreveram na historia durante o nazismo, o fascismo e as ditaduras. A instituição teve apenas o desplante de me pedir que levasse a exposição para outro lugar. Se vocês puderem e quiserem se manifestar a esse respeito, eu agradeceria, pois vou reencaminhar ao Oi Futuro a ressonância dessa arbitrariedade no meio artístico”.

"A missão do Oi Futuro é a promoção da educação e, nesse sentido, o instituto tem a praxe de avaliar o material que será exibido em seus centros culturais para assegurar que haja uma relação entre as obras e os programas educacionais realizados nas suas dependências, com crianças e jovens. Diariamente, o programa educativo recebe dezenas de turmas de alunos das escolas da rede pública e privada, para visitas guiadas pelo centro cultural do Flamengo. O Oi Futuro segue os preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que regulamenta o tratamento social e legal a ser dado a crianças e adolescentes em todo país, visando sua proteção integral".

Abaixo, você pode ver um vídeo com os trabalhos da artista para a série "The Ballad of Sexual Dependency" ou "A Balada da Dependência Sexual", conjunto de imagens registradas pela fotógrafa Nan Goldin, entre 1979 e 2004, de amigos e amantes flagrados em Nova York e Berlim.






Dica do Gabriel Cadete.