sábado, 8 de outubro de 2011

Leia entrevista com o deputado federal e ex-BBB, Jean Wyllys

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People! Via O Tempo On Line O deputado federal (PSOL-RJ) e ex-BBB, Jean Wyllys, concedeu uma entrevista ao jornal O Tempo, feita por Telmo Fadul, na qual falou sobre a política voltada aos homossexuais no Brasil e sobre sua trajetória política, desde que chegou à Câmara. A entrevista foi divulgada essa semana. Caso você não tenha lido, abaixo, é possível ler algumas perguntas e respostas na íntegra.

O senhor tem uma trajetória política peculiar. Como a descreve? Primeiro, é importante que a gente enriqueça a nossa compreensão da política. A compreensão tradicional, de que a política é passada de pai para filho, através das capitanias hereditárias, é muito pobre. Há outros políticos que não vieram dessa tradição. A política não era algo ausente da minha vida. Eu venho do movimento pastoral da Igreja Católica, participei das comunidades eclesiais de base na minha cidade natal, Alagoinhas. Aos 18 anos, eu me mudei para Salvador e fiz vestibular para jornalismo. Lá, eu retomo o meu ativismo, mas no movimento gay (na época, não se chamava movimento LGBT). Como estudante, participei da organização das primeiras paradas gays de Salvador. Depois, quando me formei, levei esse ativismo político e pró-direitos humanos para a minha atuação como jornalista.

A militância política do senhor é marcada pela defesa dos direitos dos homossexuais. Por que o envolvimento com essa causa? Ora, porque eu sou gay. Simples assim. Não tem justificativa maior para eu me engajar nessa luta senão o fato de ser homossexual e sentir na pele os efeitos da discriminação. A injúria e a discriminação se apresentam na vida de um gay muito cedo, antes mesmo de ele saber o que são práticas sexuais. A primeira vez que eu ouvi a injúria tinha apenas 6 anos, não sabia o que é ser gay. Mas só o fato de não corresponder ao papel atribuído ao gênero masculino por essa sociedade heteronormativa - não jogar futebol, preferir ficar com as meninas - já fazia com que eu fosse injuriado.

O reconhecimento dos direitos dos homossexuais avançou do dia em que o senhor tomou posse para hoje? Essa avaliação é muito difícil de fazer. O que eu posso dizer é que a minha presença no Congresso é significativa, porque sou homossexual assumido e não há hierarquia entre nós. Eu me coloco ao lado dos caras que estão aqui. Estou do lado deles tratando das mesmas questões que eles tratam: de finanças e tributação ao Código Florestal à Comissão da Verdade. Isso é muito significativo porque você tira o homossexual desse lugar subalterno em que a sociedade sempre o confinou, para mostrar que ele está habilitado a tratar de qualquer tema. Não precisamos ficar confinados nesses estereótipos, nessa crença de que nascemos para sermos cabeleireiros, maquiadores, ou para trabalharmos na esfera das artes. Nada contra essas atividades, pelo contrário.

Agora que o STF reconheceu a união estável homoafetiva, qual o foco do movimento LGBT? O nosso primeiro foco é o casamento civil, e o segundo, a criminalização da homofobia. Eu não gosto muito de usar o termo criminalização, porque não se trata de matéria penal meramente. Não é só isso. Queremos equiparar a homofobia ao antissemitismo - o ódio contra judeus - e ao racismo. Agora, o casamento civil é importante para que todos tenham a sua relação conjugal protegida pelo Estado. Com o casamento civil, você, heterossexual, goza da proteção do Estado porque, automaticamente, o Estado reconhece você e a sua mulher como uma entidade familiar. Eu não, porque sou homossexual. Esse direito me é negado.

Clique aqui para ler a entrevista completa.