quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Entrevista excluZiva com Léo Áquilla – “Eu vim antes da Lady Gaga”

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People! Léo Áquilla esteve recentemente em Belo Horizonte. A transexual conhecida em todo o país se apresentou no bar/boate Estação 2000. Mas se você nunca foi ao show dela, o que esperar? Justamente o tudo de tudo que Léo Áquilla já foi e é: celebridade de programas de TV e rádio, transformista, drag queen e político.

Após sua performance, de aproximadamente 30 minutos e que teve apresentação de Walkíria La Roche e Marilu Barraginha, Léo Áquilla recebeu a equipe do Muza para um bate-papo exlcuZivo, agradável e sincero. Ele falou sobre seu processo criatvo, política e ainda revelou o real motivo que a fez colocar seios. Ela ainda explicou por que Belo Horizonte é sinônimo de boa lembrança: “Foi a primeira cidade que me apresentei como artista profissionalmente. Eu tinha acabado de ganhar o show de calouros do Silvio Santos, em 1900 e alguma coisa. Faz parte da minha vida e da minha história. Pena que eu venho tão pouco aqui”. E é nesse clima íntimo que aconteceu a entrevista.

No show de Léo Áquilla, você vê referências à Beyoncé, Madonna (há um momento em que ela interpreta o sucesso “Like A Prayer” em uma curiosa performance vitrine viva), além de discursos com mensagens de auto-estima, espirituais e religiosas, e claro, muita troca de figurino, dança e o bom e velho bate-cabelo. A inspiração disso tudo? “Eu não tenho nenhuma fonte de inspiração. Até porque, muitas das coisas que faço em cena, eu acabo sonhando com elas. Aí acordo, toda estabanada, vou lá, visto, desenho a ideia. É uma inspiração divina”, revela Léo Áquilla, que também começa a dar nomes ao que também lhe inspira: “Deus me inspira. A espiritualidade amiga. A bondade, as coisas bonitas me inspiram. Portanto, as musas, as deusas, todas essas que você acabou de citar (Madonna, Beyoncé). Lady Gaga é uma fonte de inspiração para todos nós. É claro que eu vim bem antes da Lady Gaga. Não sou o fenômeno que Lady Gaga é. Mas, é uma musa inspiradora. Mas minha maior inspiração é divina. Porque é sempre sonhando, dormindo”, reforça a performer.

Como podemos perceber, talvez, por sua fonte de inspiração ser bem ampla ela se propõe a fazer várias coisas. Mas isso tem uma razão. No caso de Léo, realmente há um propósito para a vida de cada pessoa: “Nenhum ser humano está nesse planeta a passeio. Aqui não é uma grande balada e o último que vai embora, apaga a luz, e está tudo certo, foi um prazer. Nós temos uma missão”. Missão essa, que para Léo Áquilla deve ser algo mais profundo do que simplesmente a aparência ou diversão: “Eu me preocupo muito com a vida espiritual: no dia que eu morrer, a espiritualidade superior – Jesus, Deus, não importa – vai me cobrar ´e aí? Você foi lá? E o que você fez? Você contribuiu com o que? Qual é a sua história?´ E o que eu vou falar? Bati horrores de cabelo? Não pode ser só isso. Aí eu tenho a vontade gigante dentro de mim de transformar algo ruim em coisa boa”. Esse poder de transformação é o tema do próximo espetáculo teatral do artista, que, coerentemente, se chamará “Transformer”. A previsão é que seja lançado ainda esse ano, em São Paulo.

Léo ainda garantiu que continua com o processo contra um hotel de São Paulo, que após a Parada LGBT da cidade, se recusou a hospedá-la: “Já abri 3 processos. Estou na fase de reconhecimento. De reconhecer as pessoas que me destratam e não deixaram eu me hospedar. A males que vem para o bem. Existe um órgão do governo (paulista), que vive trabalhando em prol da causa gay. Mas até hoje, eles não tinham um exemplo. Porque ninguém processou, porque nada aconteceu. Esse é o primeiro. Vai servir de bandeira para os gays”, afirmou.

Para quem não sabe, Léo Áquilla, já se candidatou a deputado estadual pelo estado de São Paulo duas vezes, em 2006 e 2010, mas não foi eleito. “Ao contrário do que muitos dizem, eu não perdi nada (sobre as eleições) porque eu não tinha nada. Nunca será uma derrota. Sempre será uma vitória. Porque através de mim, os gays do país inteiro estão incluídos nesse bolo político. Porque eu tenho essa projeção nacional. Todo mundo sabe que um tal de Léo Áquila – um gay, travesti, transformista, drag queen, sei lá o que como me classificam – é um ser politizado, que se candidata e sabe o que fala. Porque só ser bonita não basta, tem que ter conteúdo. Eu fui buscar esse conteúdo que eu não tinha. Conteúdo é algo que se conquista. Eu fui atrás e conquistei. Agora tá na hora de usar.”

Exatamente sobre usar esse conteúdo de forma política, Léo Áquilla revela que está considerando sim se candidatar novamente. “Indiretamente, eu já sou política há 40 anos. Eu sempre vou ter um q politizado. Sou jornalista e pós-graduado em política. Não tem como eu falar que não vou me envolver, porque eu já estou envolvido... O que eu preciso agora é que os gays se conscientizem que eu sozinha não posso fazer nada. Que é melhor um Léo Áquila no poder, representando os gays, do que um Jair Bolsonaro, por exemplo”, declarou, revelando, que está repensando a ideia de candidatar-se como candidata política, mas sobretudo, porque está vendo que pessoas que ela queria que candidatassem não vão e assim, os LGBT ficarão sem representação: “Se as pessoas que eu quero que candidatem não se candidatarem , eu vou ser obrigada a me candidatar para não deixar esse buraco”.

Ao ser questionado se 2011 estava sendo um bom ano para os transexuais, em razão a visibilidade de Ariadna, no Big Brother Brasil, e Lea T, nas passarelas e fora delas, Léo Áquilla acabou revelando, com excluZividade, o real motivo dele ter colocado seios: “Eu não coloquei peito porque eu sou mulher e quero ser travesti, queria ser mulher, minha alma é feminina, não é só isso. Eu coloquei peito porque eu sou uma pessoa muito respeitada no Brasil inteiro. E as travestis, em um modo geral, não são pessoas respeitadas. Não são. Só que tem que pensar o seguinte: se tem uma Nany People, que é respeitada pelos travestis, contribui positivamente pra causa. E eu sou uma pessoa respeitada, e assim vão começar a respeitar mais as travestis. Então, eu estou causando uma mudança de comportamento na sociedade. Então, eu entro em cena, passo a mensagem de que somos todos iguais. Ter peito ou não, não faz a menor diferença. Continuo sendo a mesma pessoa. Continuo ligado a Deus e a minha família do mesmo jeito, continuo sendo o mesmo pai (para quem não sabe, ele tem dois filhos, sendo um deles adotivo), o mesmo filho, a mesma mulher”.