segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Campanha pela família exibida na TV exclui e discrimina homossexuais

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People! Se você está vendo TV por esses dias já deve ter visto (infelizmente)....desde o dia 14 de outubro, o Partido Social Cristão (PSC) está divulgando uma propaganda política/campanha voltada à importância e valorização da família. Mas a questão é: a família mostrada de forma explícita pelo PSC – “1 homem + 1 mulher é igual a Amor. Isto é Família”+ Amor é igual a família - se limita ao casal heterossexual e, consequentemente, exclui as outras formas de família. Sim! Estou falando da família formada por dois homens e uma criança, ou dois homens, ou duas mulheres, ou ainda, dois homens e um cachorro e, também, da família formada pela mãe, criança e avó e etc, etc...

Assim, além de excluir outras formas de famílias existentes, a propaganda/campanha ainda usa dizeres como: “as políticas públicas são pensadas prioritariamente para esta família (heterossexual)" e o narrador diz ainda, que estão querendo "impor uma censura à família e valores que não fazem parte da sua essência", e ao final questiona: "Mas, sem ela, onde toda essa história vai parar?"

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, divulgou uma nota pública sobre o assunto. Leia abaixo, na íntegra.


Assisti indignado e entristecido a esta propaganda, desatualizada e preconceituosa do Partido Social Cristão (PSC), cuja definição de “família” é um homem, uma mulher e seus filhos, somente.

Entendo que esta é uma forma de família, a mais tradicional, que não deve ser desmerecida. No entanto, a propaganda exclui e é ofensiva às demais formas de família que sabida e comprovadamente existem. A propaganda está em compasso com uma ideologia excludente e discriminatória.

Segundo afirmação feita pela Organização Mundial da Saúde já em 1994, “o conceito de família não pode ser limitado a laços de sangue, casamento, parceria sexual ou adoção. Família é o grupo cujas relações sejam baseadas na confiança, suporte mútuo e um destino comum”.

A propaganda ignora os dados do último censo populacional que, entre outras estatísticas, aponta que 51% das pessoas de referência das famílias são mulheres, 17,1% das famílias são compostas por casais sem filhos e 17,4% por mulheres sem cônjuges mas com filhos. Inclusive até a família da presidenta Dilma foi excluída pela propaganda, visto que ela vive somente com a mãe e uma tia.

A propaganda, com seu raciocínio reducionista e binária, deixou de lado todas as outras composições familiares, que incluem as famílias recompostas, monoparentais, ampliadas, comunitárias... Ignorou a decisão do Supremo Tribunal Federal, de 05 de maio de 2011, que reconheceu unanimemente que os casais homoafetivos também formam entidades familiares.

Todas as pessoas têm o direito de liberdade de convicções pessoais, mas um partido político veicular este tipo de propaganda é atentatório aos princípios democráticos da igualdade, da dignidade humana e da não discriminação, entre outros.

Família, pode-se realmente afirmar, significa laços de amor, afetos e responsabilidades, sem exclusão e sem discriminação. Será que o PSC não deveria respeitar a Constituição Federal?

Em Tempo1: Algumas pessoas estão protestando contra a Campanha/Propaganda na página do Facebook do partido e/ou ainda enviando e-mail para faleconosco@psc.org.br

Em Tempo 2: Ovice-presidente do PSC, Everaldo Pereira, divulgou uma nota pública – que está disponível também na página do PSC no Facebook – sobre os protestos contra a Campanha/Propaganda, na qual diz que o “o Partido Social Cristão reafirma que a propaganda eleitoral veiculada na quinta-feira, 13 de outubro, cumpre rigorosamente os preceitos constitucionais. A livre manifestação da comunicação e do pensamento está assegurada no artigo 5° da Constituição Federal”. Na nota ele ainda diz que “lamenta que parte da sociedade considere um crime a defesa dos valores cristão um crime”.