sábado, 6 de agosto de 2011

ExcluZivo! Cobertura da 14ª Parada do Orgulho LGBT de BH

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People! Há exatamente duas semanas aconteceu em Belo Horizonte a 14ª Parada do Orgulho LGBT de BH, e o Muza marcou presença, como vocês já sabem. Mas só agora – antes tarde do que nunca ;) – trazemos esse material excluZivo para compartilhar com vocês.

Desta vez, o Muza, traz um olhar diferente sobre a Parada, através de fotografias de Roberto Reis, que ao invés de trazer as tradicionais imagens do evento, como a da bandeira estiada nas ruas da cidade ou do público na Praça da Estação – local onde é realizada a concentração do evento - há imagens de detalhes belos, curiosos, inesperados e que podem ter passado despercebidos. Como um detalhe de uma roupa de uma drag queen, de um cartaz de protesto ou de uma pessoa fantasiada. Um olhar diferente para os detalhes que constituem a Parada.

Em 2011, mais uma vez a organização foi do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual (Cellos-MG), com o apoio da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio do Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CRLGBT) e da Coordenadoria de Direitos Humanos, órgão da Secretaria Municipal Adjunta de Direitos da Cidadania (SMADC).

Estima-se que cerca de 40 mil pessoas prestigiaram o evento. Mas será que a Parada é realmente importante, mesmo após mais de uma década de existência? Para responder a pergunta, o Muza entrevistou diversas personalidades que lá estavam – entre militantes, drag queens e polítcos – e as respostas é o que você pode ver abaixo entre uma bela imagem e outra.



“A verdade é que agente tem visto o crescimento de adesão da sociedade com a nossa luta e reivindicação. É muito importante. Você vê a praça da estação tomada não só pela população LGBT, mas pela sociedade mineira, de BH. Mostra que eles querem uma sociedade onde todos sejam respeitados, onde todos possam viver plenamente sua cidadania... Na verdade, se a Parada fosse só a festa, já era política. É o povo ocupando espaço, reafirmando sua bandeira e vivenciado sua sexualidade. Nos outros dias, ´é proibido´. Eles podem, inclusive, morrer por isso. Mesmo se fosse só para dar pinta, mostra a reivindicação que nós queremos: o fim da homofobia, da violência. A Parada é um mix de política e alegria”.
Carlos Magno, supervisor do Centro de Referência pelos Direitos Humanos e Cidadania LGBT de Belo Horizonte (CRLGBT-BH) e coordenador da Parada do Orgulho LGBT de BH.

“Eu entendo as Paradas de Minas, como um ato cívico, não só a caminhada ou a festa. A festa é a nossa cultura expressada, através das drag queens, nossa música eletrônica... Eu entendo que esse momento é necessário para poder mostrar a sociedade que nós existimos como cidadãos e cidadãs, pagadores de nossos impostos. É um dos marcos históricos de nossa cidade. Darmos a cara na tarde de hoje é extremamamente necessário, é mostrar que o cidadão foi a rua reivindicar direitos”
Walkíria La Roche (Centro de Referência GLBTTT Estadual)



“Eu acho fantástico. Acho Lindo. Falta muito ainda para a gente conquistar, mas é uma luta diária. O preconceito existe, eu sofri preconceito. Mas essa praça lotada é maravilhoso, não tem preço. Afinal de contas, a gente só quer igualdade. Nada mais além disso. Tem 10 anos que estou a frente do evento, eu fico feliz porque cada vez está melhor”
Kayete- artista
“Toda mudança social tem a mobilização social. Isso é muito importante, é o principal motor para a mudança. Nós, como parlamentares, na esfera pública, temos que dar respaldo para ampliar esses direitos, se possível, na legislação. Meu mandato sempre teve essa preocupação de garantir direitos para todos. A democracia só existe quando todos seguimentos sociais possam realizar suas escolhas. A gente pensa no Brasil há 14 anos atrás, quando a Parada (de BH) começou e era, de certa forma, marginalizada. Hoje muita gente vem para apoiar e é isso que tem para fazer, os direitos e cidadanias LGBT”
Luzia Ferreira, deputadas estadual (PPS-MG)
“A primeira Parada tinha 100 pessoas. Hoje tem vários políticos, vereadores, deputados que estão aqui apoiando. O importante é ter muito jovens, a maioria absoluta, porque vai mostrando que as novas gerações estão aptas a aceitar a diferença. Agora quando há violência, é diferente, tem que criminalizar a homofobia. Uma coisa é o preconceito, outra é a ação que humilha, fere e mata”
Nilmário Miranda, presidente da Fundação Perseu Abramo (FPA), um dos principais órgãos de estudos do Partido dos Trabalhadores (PT).“Primeiro a gente veio aqui parabenizar, festejar e agradecer a decisão do STF que é a decisão mais importante na vida dos homossexuais do Brasil. Segundo, a gente veio protestar contra essa homofobia institucional, que não é só o caso daquele juiz de Goiânia, são professores, médicos, vereadores, deputados. Pessoas que recebem dinheiro, salários, pagos pelos homossexuais e que estão discriminando os homossexuais dentro do Estado. A gente quer protestar contra isso, a gente não aceita mais essa violência. Você vê que semana passada um pai teve sua orelha arrancada porque ele estava abraçado com seu filho. Ele disse que não era gay, imagina se ele disesse que era gay? Ele provavelmente já estaria morto nesse momento. É um alerta para que o governo tome conta dos cidadãos e cidadãs homossexuais, porque a gente não foi feito só para pagar imposto. A gente foi feito também para ser feliz e usufruir do Estado.... Aqui na Parada a gente não tem só homossexuais, mas também heterossexuais que não concordam com o preconceito e discriminação aos homossexuais. A maioria aqui são jovens, isso faz com que daqui há 20 anos terá uma sociedade de cabeça muito mais aberta, que a de 50 e 60 anos atrás que é homofóbica. É uma esperança para que a gente acabe com o preconceito e a discriminação no Brasil”.

Léo Mendes e Odílio Torres, primeiro casal gay a registrar uma união civil homossexual no país, realizada em Goiás, estiveram presentes no evento para fazer uma renovação dos votos de casamento.

“Para mim é sempre um prazer participar. É uma felicidade muito grande. São pessoas que valorizam manifestações artísticas. É o melhor público que tem para trabalhar”.
Paula Sette - cantora

“A diferença é que estou vendo que as meninas estão começando a aparecer, antes elas não tinham a oportunidade. Hoje Estão começando mostrar a cara delas a se interessar pelas coisas. Antes eram só os gays e lésbicas, e hoje vejo muitas travestis interessadas, mostrando a cara e reivindicando seus direitos”.
Anyky Lima (vice-presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual -Cellos MG).

“É um valor simbólico para a gente do interior. Porque a visibilidade que a gente conquista com a de BH fortalece a nossa luta no interior de Minas. Estamos aqui hoje com mais de 20 representantes das Paradas de Minas. Visibilidade política e fortalecimento da luta por direitos”.
Carlos Bem - fundador e presidente do Movimento Gay da Região das Vertentes(MGRV). (de camiseta vermelha abaixo)
“Eu acredito que deu tão certo que ela chegou aos 14. As conquistas acontecem muito devagar, mas cada conquista que a gente tem, a gente tem que comemorar. E esse ano ela vem comemorar a conquista do STF de autorizar uniões homossexuais como heterossexuais. A cada ano, com o aumento das pessoas, a gente consegue colocar a semente da não discriminação e de fora o preconceito contra nossa população LGBT”.
Keilla Simpson (vice-trans da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais – ABGLT)