quarta-feira, 3 de agosto de 2011

E as polêmicas da DuLoren? De anúncio lésbico a deputado Bolsonaro como garoto-propaganda

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Bee! A marca de roupas íntimas, DuLoren, está cauZando. Acima, podemos ver um interessante anúncio publicitário no qual menciona a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a união homoafetiva. Com os dizeres – polêmico? Irônico? - “Aprovada a união homoafetiva? Achei que já estava tudo liberado”, a propaganda seduz e faz pensar, mesmo com essa conotação sexual. Além disso, a marca da DuLoren aparece coloridísima, fazendo referência a bandeira do arco-íris, símbolo LGBT. Até aí tudo bem, tudo legal...

...mas eis que surgiram boatos – sempre eles – de que a simpatizante DuLoren do anúncio acima teria convidado o (lamentável) deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) para ser garoto-propaganda da marca da lingerie ao lado da ex-BBB e transexual Ariadna Miranda. Dizem que ne tal anúncio, Bolsonaro diria algo como “Esse kit eu aprovo”, fazendo referência ao Kit Anti-homofobia que seria distribuído nas escolas, o qual ele foi radicalmente contra.

Confirmações e mais polêmicas


Em entrevista ao Terra Magazine, Ariadna confirmou o convite, assim como Bolsonaro, que disse que toparia, mas recusaria de fazer ao lado da Ariadna: “eu não ficaria bem ao lado dessa pessoa (Ariadna)... Eu não vou ganhar nada com isso. Se tiver cachê, a gente vai doar para uma instituição qualquer. Nem me interessa saber quanto vai ser.Nem sei se é proibido ou não fazer esse tipo de propaganda remunerada pelo regimento da Câmara, mas eu posso fazer propaganda. Lógico que vou levar porrada de um monte de gente. Homossexual vai criticar a Duloren, mas acredito que vai me ajudar a divulgar o "kit gay 2", que eles chamam de Programa Nacional de Direitos Humanos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais).

A matéria do Terra Magazine também procurou o presidente da Du Loren, Roni Argalji,que confirmou o convite, a retirada da Ariadna por causa do Bolsonaro e ainda questionou o que seria polêmica: “Ele (Bolsonaro) tem uma opinião, um ponto de vista e tem que ser respeitado. Não é só ele que pensa desta maneira. Tem muita gente que o segue, tanto que é deputado, foi eleito... Aí, as pessoas acham que somos polêmicos. Com relação ao Bolsonaro e ao problema da homofobia, a Duloren colocou uma situação que tem que ser respeitada. Se a pessoa é contra ele e a favor de não sei o quê e vice-versa. A mensagem é uma coisa só: o pensamento e o que as pessoas acham têm que ser respeitados”.

Reações

Argalji ainda criticou, na mesma matéria, criticou quem pensa em fazer boicote à DuLoren, como é o caso de pessoas no facebook: “Isso é coisa de gente com QI de ameba, gente burra, gente ignorante que não tem o que fazer. Uma pessoa, que tem sua opinião e sabe que o outro tem direito a seu pensamento, não vai entrar numa idiotice, numa infantilidade dessa.

Em reação, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) divulgou uma nota pública de repúdio à DuLoren, que você pode ler abaixo na íntegra:

A notícia de que a indústria Du Loren pretende colocar o deputado federal Jair Bolsonaro como garoto-propaganda de uma linha de calcinhas traz inconformismo e revolta ao segmento de pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis), por se tratar de um político que usa seu ódio aos homossexuais como “vitrine” para conseguir espaço na mídia.

Para nossa decepção, parece-nos que a Du Loren também pretende enveredar pelo mesmo caminho das posturas infelizes do deputado: o de se valer da fragilidade social de milhões de brasileiros homossexuais para repercutir na mídia uma campanha publicitária de péssimo gosto.

Nossa indignação torna-se ainda maior quando se lê – conforme notícias publicadas pelo jornal ‘O Globo’ e pela revista ‘Exame.Com’ – que a Du Loren retirou a transexual Ariadne, para conseguir que o deputado Bolsonaro concorde em aparecer na campanha, onde ele dirá que “esse kit ele aprova” (referência ao “kit anti-homofobia”, que está em discussão no Ministério da Educação).

Caso a Du Loren não saiba, o Kit Escola Sem Homofobia é uma ferramenta educativa do projeto Escola Sem Homofobia e foi construído exaustivamente por especialistas, com constante acompanhamento do Ministério da Educação, e com base em dados científicos. Peça fundamental, portanto, para ajudar a desconstruir o preconceito por parte de estudantes contra pessoas homossexuais.

O Kit é necessário, entre outras razões, porque as pesquisas mostram que em torno de 70% das pessoas LGBT já foram discriminados em algum momento da sua vida e 20% já sofreram violência física em função de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero. Com essa campanha a Du Loren estará colaborando para manter ou até piorar este quadro sombrio e para reforçar a linha de pensamento machista, racista e homofóbico do deputado Bolsonaro.