terça-feira, 12 de julho de 2011

ColunaZs - "Ponto.B - Amor Gay? Amor? Sexo?"

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Um assunto tão óbvio que fiquei com certo de receio de escrever. Confesso que neste meu tempo aqui no MuZa este foi o texto que mais demorei para escrever. Mas acabei conseguindo dar uma direção que me agradou mais.

Antes de tudo, parem de falar ‘amor gay’, amor é amor e ponto final.

Talvez seja simples e óbvio para nós que sabemos que nosso amor é como qualquer outro, mas então encontramos pessoas as quais acreditam que queremos apenas sexo e somos maquinas pervertidas. Esse preconceito é mais forte conosco, homens. É uma lógica simples de certa forma, homens – segundo lendas urbanas – são seres milhões de vezes mais ligados ao sexo do que as mulheres, então se você juntar dois homens... você sabe fazer as contas. Mas pensar assim é partir do pressuposto de que apenas mulheres são capazes de amar e apenas homens possuem fortes desejos sexuais, a não ser que o equilíbrio entre os dois quebre essa ‘unicidade’, o que por sua vez acabaria com o pensamento (dito) lógico cujo tentei explicitar. Enfim, isso é tudo idiotice.

Antes de entrar no discurso sobre nosso amor, no qual não pretendo gastar muito tempo, eu gostaria de falar dessa nossa visão a respeito dos sexos. A visão ultra sexualiZada do homem e superromantiZada da mulher. Se um homem é burro não é porque ele só pensa com a cabeça de baixo, é burrice mesmo, e falta de pensamento leva a resposta mais forte por parte dos instintos, nós falamos da ‘cabeça de baixo’ graças ao oportuno trocadilho. E mulheres não são tão desprendidas do sexo, elas gostam de sexo tanto quanto os homens, e é fato que amadurecem mais cedo, mas maturidade não elimina desejo sexual. Logicamente existem diferenças entre os sexos, mas quando o assunto é sexo (o ato) a coisa não muda muito de figura no quesito desejo e necessidade, mas muda mesmo quando o assunto é sociedade. Mulheres que gostam de sexo são vadias e homens românticos são frouxos, para mim esses estão no TOP10 dos piores estereótipos da humanidade. Mas nós entraremos mais neste assunto no próximo Ponto.B, prometo.

Agora vamos pegar isso como base e voltar a nossa imagem de pessoas que só querem sexo. É inegável que os homens gays, atualmente, são a cara da comunidade LGBT, seja pintosa ou urso, a primeira imagem que se tem é de um homem. E graças a este triste fato – uma vez que há uma diversidade enorme – a comunidade gay carrega a estigma de ser puramente sexual. Primeiro quem disse que sexo é ruim? Todos querem sexo, é natural. O fato de serem dois homens não quer dizer que o amor seja descartado. E essa história de que não tem amor por não ter procriação é furada, uma vez que o prazer sexual é um dos ‘atrativos’ da natureza para a procriação. Tanto o amor quanto o sexo vão muito além da perpetuação da espécie, ambos fortalecem corpo e mente, são partes essenciais de quem somos.

É fácil aceitar o amor de um fã, que nunca viu a pessoa amada, não a conhece de verdade, não pode conversar intimamente com quem amam, mas é complicado aceitar que duas pessoas que se conhecem, se aproximam possam se amar só por serem do mesmo sexo? Me expliquem essa lógica, pois sou incapaz de entende-la. Amor vai muito além de relações como namoro e casamento, existe amor na amizade, amor na família, amor por animais, por assuntos. Somos seres que amam. Somo seres com atrações sexuais. Quando unimos o amor ao sexo, é quando estabelecemos o laço de afetividade entre um casal. Nós não amamos por um órgão sexual, amamos por personalidade, ligações, por diversas razões. Mas o amor é expresso de diferentes maneiras, associado a diferentes fatores. O amor não tem explicação, então sugiro o fim dessa busca. Vamos aceitar o amor, vamos amar.

* Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!