terça-feira, 19 de julho de 2011

ColunaZs - Comunidade Gay

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Ok, posso ser taxada de chata, implicante, ou seja lá o que vocês arranjarem. Não me importa. Detesto o uso da expressão “Comunidade Gay”, e quando a uso é por não ter mais opções. Antes de dar pití, preste atenção na minha explicação, ok?!

Quem nunca ouviu algum negro falar “meu povo” ou coisas do gênero? Esse tipo de declaração é mais comum na terra do nosso querido Obama. E esse tipo de declaração incentiva à separação das cores e o preconceito, mesmo que este não acarrete a agressão, mas isto já é outro assunto. O uso dessas expressões, que tentam –ilusoriamente - valorizar uma ‘minoria’, apenas reforça a separação e o preconceito. Entendo a necessidade de mostrar o orgulho, de que é normal, de que todos devemos ser respeitados independente de cor, sexualidade e etc. Mas acho que este tipo de expressão é um tiro que sai pela culatra. Dizer “Comunidade Gay” me passa a impressão de certo isolamento, de um mundo a parte, de um povo que busca o fim da repressão, mas não o fim da separação.

Segundo nossa querida Wikipédia “Comunidade é um conjunto de pessoas que se organizam sob o mesmo conjunto de normas”. Se tomarmos as ‘normas’ como as leis, podemos dizer que ainda somos ‘comunidades’ diferentes, uma vez que não temos os mesmos direitos assegurados. E isto está errado, logo a existência de uma “comunidade gay” ou uma “comunidade hetero” é um erro. Creio que para o fim da homofobia um passo importante seja a extinção da expressão “comunidade gay”, extinção em nosso imaginário e na lei. Uma vez conquistados nossos direitos, tal comunidade deixará de existir. Mas será que ela desaparecerá do nosso vocabulário ou permanecerá como o “blackpeople”? Este é meu medo.


Não tenho um bom substituto para “comunidade gay”, talvez vocês tenham. Tento aqui abrir uma discussão importante, mais importante do que possa parecer. Talvez não haja substituto, talvez esta expressão deva ser banida o mais rápido possível, talvez nós devamos nos tratar apenas como pessoas. Talvez eu esteja sendo utópica. Talvez eu esteja coberta de razão.

Acredito que estas separações por razões de nascimento já deveriam ter sido completamente extintas. Somos todos humanos, está na hora de percebermos isto e vivermos sem estas barreiras auto impostas. Está na hora de vivermos em uma comunidade humana.

E você? O que você acha? Levantei a discussão, uma que julgo ser muito importante, por favor não deixem-na morrer.

* Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!