terça-feira, 5 de julho de 2011

ColunaZs – “Agredida”

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Queria fazer um texto divertido e repleto de piadas essa semana, mas não consegui. Como vocês devem ter visto aqui no MuZa, dois jovens foram agredidos aparentemente por homofobia. Este é apenas um dos vários casos que acontecem todos os dias nesse país. Confesso que ao ler o texto fiquei extremamente triste, mais que o normal. E sim, eu tenho um coração. Não sei exatamente qual o motivo para minha emoção, mas sinto que isto não sairá de minha mente até me expressar devidamente. Hoje é meu desabafo.

Primeiro quero que todos esqueçam que homofobia estava envolvida em tal acontecimento, vamos fingir que os dois não eram gays e os agressores não eram homofóbicos. O fato continua absurdo, pois dois seres humanos foram agredidos, duas pessoas que nada fizeram. Agora se lembrem de que os dois são gays e como I.F disse “é possível identificar ou ao menos suspeitar que somos gays”, agora pense em quantas pessoas diriam “Tá explicado o motivo” caso vocês contassem a história da maneira que contei. Obviamente esta foi amotivação dos imbecis, mas esta não pode ser a justificativa para a agressão, nenhum tipo de agressão. Não existem apenas as agressões verbais ou físicas, existem assassinatos com a mesma motivação, será que essas pessoas também justificam isso?Pensar assim é a mesma coisa que justificar um estupro com uma saia curta, é subutilizar a capacidade cerebral que todos temos.

Sinto-me agredida com tal acontecimento. Jamais tocaram um dedo em mim em razão de homofobia, mas já fui agredida verbalmente e acredito que 100% da comunidade LGBT já tenha escutado alguma provocação, no mínimo. Conheço o sentimento de humilhação, conheço a revolta, a raiva e conheço de forma mais íntima a superação. Os fortes nesta história somos nós, os inteligentes somos nós, e temos de ter plena consciência disso. Não podemos deixar com que eles nos retraiam, assustem, nós temos que educa-los.

Não se curvem, falem, denunciem, procurem os meios certos para lutar de volta. Essa é nossa luta, e vamos vencê-la de forma inteligente. Sabe essa cicatriz na sua pele, na sua memória? Com o tempo ela se torna uma cicatriz de guerra, um símbolo da sua luta, um símbolo da sua vitória, da nossa vitória.

* Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!