terça-feira, 28 de junho de 2011

ColunaZs – “PolemiZei!”

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Polemizei!

por Becha Má*

Desde a minha estreia aqui eu não via uma resposta tão forte a um texto meu. O texto em questão é “Paranoia Gay”, publicado na terça-feira, 14 de junho de 2011. Lógico que a resposta forte a que me refiro foi tanto positiva quanto negativa. Esta semana vou usar do meu espaço para esclarecer algumas coisas e pedir que vocês comentem mais, várias pessoas tem muito que acrescentar, é interessante ver os diferentes pontos de vista.

Já escrevi o texto citado pensado que teria de fazer um segundo texto sobre o assunto, e estava correto. Vou começar com um pedaço de um comentário do Guga M., quem comenta frequentemente e sempre me agrada com suas observações, e desta vez não foi diferente, mesmo com os pontos de vista opostos. Enfim, primeiramente quero falar sobre esta citação do Guga: “...alguém já ouviu alguma piada sobre heterossexual?” Respondendo a pergunta, eu já, eu as faço, inclusive disse isso em meu texto. Muitas pessoas também fazem piadas com heteros, e nessas piadas eles têm o estereótipo de homens burros, viciados em cerveja e que tratam mulheres como objeto, pra citar um exemplo, e as piadas são sobre a sexualidade deles sim. Mantenho minha posição, para mim tudo é uma piada em potencial, a questão é saber fazê-la de forma adequada.

Em momento algum eu disse que não existe homofóbica ou justifiquei-a através da liberdade de expressão. O que eu disse foi que não podemos considerar qualquer coisa como homofobia, algumas pessoas exageram sim, e é deste exagero que estava falando. A pessoa que exagera acaba por perder força em seus argumentos, mesmo quando estão certos. O texto tinha como intuito chamar a atenção para este fato, pois sei que muitos perdem o foco. Não estou dizendo que a luta contra a homofobia seja um exagero, ou que ela não exista, ela[homofobia] ainda é um problema sério e de grande impacto em nossas vidas. E graças a isto deve ser tratada com seriedade e não como brincadeira de colocar o dedo na cara do outro sem motivo. Sejamos sensatos e racionais, pois são nossos direitos – e nossas vidas – que estão em jogo.

Humor e preconceito são coisas diferentes, mas algumas pessoas não sabem a diferença, tanto quem FAZ a piada, quanto quem OUVE e INTERPRETA. Eu sou completamente CONTRA qualquer preconceito em piadas, mas não acho que por isso gays não possam ser inseridos em piadas, querer nos excluir de uma manifestação tão natural quanto nossa sexualidade é uma grande demonstração de homofobia. É lógico que existem muito mais piadas com gays, e isso eu considero um problema, mas elas não devem ser 100% banidas. Cito o Guga novamente “ o humor não dever estar à serviço da inferiorização e humilhação de sujeitos assujeitados.”, e desta vez concordando plenamente, mas meu ponto é que nem todo humor tem esse intuito e que muitas pessoas atacam o humor bem feito como se ele estivesse humilhando as pessoas. Algo que sempre digo em meu twitter é “Bom humor e bom senso não fazem mal a ninguém”.

Outro comentário que me chamou atenção foi o do Matheus, que gostou do texto, ele disse “... num posicionamento bem maria vai com as outras ...”. O comentário me fez pensar que talvez eu devesse ter abordado isso no texto. Na internet isso fica mais evidente, se uma pessoa reclama de algo aparecem milhares apenas repetindo o mesmo discurso, sem antes pensar, e outro grupo sendo totalmente contra, também sem pensar. Uma minoria pensa a respeito e expressa uma opinião válida. Acho que este seja um dos grandes problemas que me motivaram a escrever o texto a que me refiro aqui. Sempre tem um gay radical que reclama de praticamente qualquer comentário e então surgem milhares de pessoas também xingando, então surgem outras milhares de pessoas falando que nós queremos tratamento vip, e então aparece a minoria que pensa e pondera a respeito dos pontos positivos e negativos de tal comentário e então expressa uma opinião a respeito. O que me incomoda é quando pensamos e expressamos opiniões ponderadas acabamos nos perdendo em meio à multidão (há exceções, eu sei), pois somos taxados como as pessoas que não pensam, uma vez que acabamos mais inclinados positiva ou negativamente.

Outra citação importante foi da nossa “Mulher negra e hetero” que disse o seguinte “Quando receber uma crítica analise a fonte”. Sempre ouvi essa frase e adiciono o seguinte “analise o conteúdo também”. Acho que é neste ponto que muitos erram, perdem tempo criticando coisas inocentes enquanto poderiam ajudar a derrubar verdadeiros preconceitos. Reforço meu discurso e peço que parem de desviar energias que poderiam ser usadas na luta contra a homofobia, na luta em favor dos nossos direitos.

“... desta vez, Becha Má, a sra se equivocou no tom, na argumentação e perdeu a oportunidade de problematizar de maneira mais crítica um tema bem interessante.” Espero ter conseguidopassar, desta vez, a mensagem que queria desde o começo, mesmo sabendo que o texto teve um bom resultado levando tudo em consideração. Fiz este para esclarecer os pontos que acredito ter deixado buracos da outra vez e discutir questões levantadas nos comentários. Acredito que talvez tenha me equivocado, em parte, no tom que dei ao texto, mas não nas ideias por trás. Ainda há muito que se discutir, então comentem.

P.s.: A questão toda é, será que estamos apontando nossas armas para a cara do preconceito ou para nossos próprios rostos?

* Becha Má é twittera toda trabalhada no veneno purpurinado. The Bitch says: follow my ass!