sexta-feira, 27 de novembro de 2009

deZabafo! A minha, a sua , a nova seção do MUZA


People! Está no ar uma nova seção do MUZA, na qual você também poderá participar: deZabafo! Trata-se de um espaço no qual eu e você compartilharemos uma situação de orgulho, vergonha, alegria e tristeza em relação a ser gay, lésbica, bissexual,transexual, simpatizante e os demais LGBTTHWYZ na sociedade.

Há tempos estava querendo fazer uma seção desse tipo, afinal, felizmente ou infelizmente o dia-a-dia nos mostra diversas situações no mínimo curiosas que retrata a homofobia, o preconceito e nos casos otimistas, o orgulho, relacionadas a diversidade sexual. Viveu ou presenciou uma situação desse tipo? Faz seu deZabafo com a gente! Envie um e-mail para muza.contato@gmail.com com o assunto “deZabafo” que eu publico aqui!

Pra começar...


Ontem, fui ao cinema com um amigo, ver o filme “Quanto dura o amor?”, ótimo por sinal, de muito bom gosto a abordagem que faz sobre as relações humanas. Durante a sessão, em determinada parte do filme, um dos personagens revela ser transexual para o homem o qual está envolvido e que nem sequer poderia supor que a mulher que estava se relacionando já havia tido um corpo de homem como o dele.

É uma cena forte, densa, complexa. Uma das mais profundas, tristes e belas do filme. Eis que no momento em que o personagem diz: “eu sou transexual”. O que eu escuto? Risos. Isso mesmo: risos. Quase gargalhadas vindas do fundo da sala do cinema. Meu cérebro estava se recusando a processar o que presenciava, ao mesmo tempo em que um profundo sentimento de tristeza por essas pessoas que estavam rindo tomava conta de mim. Foi quando murmurei “não estou acreditando nisso” que meu amigo disse em seguida, para quem quisesse ouvir no cinema: “Isso não é piada não!”. E não era mesmo!

Afinal, onde estava a graça? Qual era o motivo do riso? Qual a palhaçada que poderia estar gerando aquela gargalhada? Seriam aquelas pessoas que estavam em um dos cinemas mais descolados de BH, onde teoricamente freqüentam pessoas com mentes mais abertas, completos ignorantes? Estariam elas rindo de si mesmas por não conseguirem lidar com o que não compreende?

A resposta para isso tudo me parece com pré-conceito, falta de respeito, de sensibilidade e até de humanidade. Como uma situação/questão tão dolorosa e complexa de uma pessoa ali nas telas exibidas era motivo de riso? De uma gargalhada? O efeito desses risos em mim foi quase inverso: lágrimas. Lágrimas de tristeza pelo quanto às pessoas podem agredir aos outros, mesmo com um riso. Pronto, está registrado o primeiro deZabafo!

2 comentários:

StanyF disse...

Entendo o que você sentiu ao presenciar tal cena, mas lhe garanto que isso é mais comum do que se imagina. Eu mesmo já ouvi muito mais que gargalhadas durante cenas no cinema em que o personagem se declara ou se mostra 'não heterossexual' em vários filmes. O caso que mais me chamou atenção foi quando assisti a "Eclipse de uma paixão", onde Leonardo DiCaprio vive o poeta Rimbaud; na primeira cena em que ele olha para David Thewlis, ator que interpreta Verlaine, duas garotas se levantaram e começaram a reclamar que não tinham pago o ingresso para ver 'aquilo', 'aquela coisa nojenta', enfim, depois do escândalo, as duas sairam do cinema resmungando.

Anônimo disse...

eu ia rir tbm :D

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