
People! O MUZA realizou uma entrevista excluZiva com a escritora carioca Diedra Roiz, que recentemente lançou seu primeiro romance no qual aborda a homossexualidade e seus dilemas: Trata-se de “O Livro das Mentiras e Medos” (selo editorial abcLES) . Na agradável conversa, Diedra compartilha sua inspiração e fala uma pouco mais de como é escrever sobre o universo homossexual. Na sequência, você poderá conferir os três teasers lançados na web, via you tube, sobre o lançamente do livro, que aconteceu em novembro de 2009.
“O Livro das Mentiras e Medos”, segundo palavras da própria autora, acompanha as confissões de Vic, que prefere criar um personagem, um disfarce, uma máscara para o mundo, fingindo ser hetero para a família e para a sociedade, e que só consegue se relacionar com mulheres através do sexo, jamais do afeto, por não conseguir acolher nem para si mesma o fato de ser lésbica. E com isso coloca em evidência a dificuldade que é gostar de si mesmo quando se está completamente fora do senso comum do que é normal, admissível, correto. Em contraponto, temos Jaque, absolutamente assumida e de bem consigo mesma. O encontro e envolvimento das duas gera conflitos e questionamentos inevitáveis e contundentes.
Diedra Roiz começou a escrever contos e romances em 2007. Em 2008, seu conto "Perdas, Danos e Afins" foi publicado no livro "Olhares Diversos" (2008) após conquistar 2º lugar no Concurso Nacional de Contos Lésbicos. Com o conto "A Dança das Raposas", obteve menção honrosa no 7º Concurso Guemanisse que deu origem ao livro "Literatum & Poeticum" (2009). Diedra também é uma das autoras selecionadas para fazer parte da II Colectânea de Contos da Diversidade promovido pelo site português Tangas Lésbicas a ser lançado em junho de 2010.
MUZA/Valmique - Você já escrevia contos e artigos sobre o universo homossexual. Como chegou a realização deste seu primeiro livro?
DIEDRA ROIZ - Na verdade foi um percurso. Um passo de cada vez. Uma coisa foi levando a outra, quase sem perceber. Comecei a escrever e postar na internet em Outubro de 2007.
“O Livro das Mentiras e Medos”, segundo palavras da própria autora, acompanha as confissões de Vic, que prefere criar um personagem, um disfarce, uma máscara para o mundo, fingindo ser hetero para a família e para a sociedade, e que só consegue se relacionar com mulheres através do sexo, jamais do afeto, por não conseguir acolher nem para si mesma o fato de ser lésbica. E com isso coloca em evidência a dificuldade que é gostar de si mesmo quando se está completamente fora do senso comum do que é normal, admissível, correto. Em contraponto, temos Jaque, absolutamente assumida e de bem consigo mesma. O encontro e envolvimento das duas gera conflitos e questionamentos inevitáveis e contundentes.
Diedra Roiz começou a escrever contos e romances em 2007. Em 2008, seu conto "Perdas, Danos e Afins" foi publicado no livro "Olhares Diversos" (2008) após conquistar 2º lugar no Concurso Nacional de Contos Lésbicos. Com o conto "A Dança das Raposas", obteve menção honrosa no 7º Concurso Guemanisse que deu origem ao livro "Literatum & Poeticum" (2009). Diedra também é uma das autoras selecionadas para fazer parte da II Colectânea de Contos da Diversidade promovido pelo site português Tangas Lésbicas a ser lançado em junho de 2010.
MUZA/Valmique - Você já escrevia contos e artigos sobre o universo homossexual. Como chegou a realização deste seu primeiro livro?
DIEDRA ROIZ - Na verdade foi um percurso. Um passo de cada vez. Uma coisa foi levando a outra, quase sem perceber. Comecei a escrever e postar na internet em Outubro de 2007.
Também foi em 2008 que escrevi um primeiro rascunho de O LIVRO SECRETO DAS MENTIRAS & MEDOS. Por uma série de razões aparentemente inexplicáveis – e que agora fazem todo sentido – não postei na internet. Permaneceu guardado, inédito, como que hibernando, ou quem sabe... Amadurecendo.
A oportunidade acabou surgindo quase que naturalmente, no segundo semestre de 2009, quando Danieli Hautequest leu O LIVRO SECRETO, gostou, e me propôs revisar e lançar como primeira publicação do abcLES editorial.
Qual foi a inspiração para a história do livro “O livro secreto das mentiras e medos”?
Não tive uma inspiração, mas várias. Situações, emoções, fatos e desabafos que escutei, testemunhei, vivi e sofri. Mais especificamente um lamento que ouvi inúmeras vezes: - Ser gay é tão difícil... O título fala por si só. Secreto. Mentiras. Medo.
Não tive uma inspiração, mas várias. Situações, emoções, fatos e desabafos que escutei, testemunhei, vivi e sofri. Mais especificamente um lamento que ouvi inúmeras vezes: - Ser gay é tão difícil... O título fala por si só. Secreto. Mentiras. Medo.
De aceitar e assumir o que se é e o que se quer, de expor a própria verdade e ser agredido, ridicularizado, rejeitado. Inseguranças que castram manifestações de afeto, amor ou desejo. Necessidade de ser aceito. O pior dos preconceitos: aquele que temos contra nós mesmos.
Ocultar quem e o que realmente se é para obter a aprovação das pessoas e do sistema. Infelizmente isso é banal. Comum até. Enquanto o sofrimento que é uma pessoa não poder ser ela mesma não nos causar no mínimo estranhamento, continuaremos levando nossas vidas como se estivesse tudo bem e certo. É isso que o livro se propõe a mostrar, questionar e dizer.
Você é uma das autoras selecionadas para fazer parte da “II Coletânea de Contos da Diversidade” promovido pelo site português Tangas Lésbicas, a ser lançado em Junho de 2010. Como você percebe esta espécie de segmentação da literatura homossexual? Acredita que haja um preconceito neste sentido? Em colocar a temática homossexual em uma categoria separada?
Assunto mega delicado esse, hein? Obviamente, não é nos camuflando, reprimindo, nem escondendo que faremos algo mudar. Infelizmente, o gueto ainda é algo necessário. Gera força, segurança, estabilidade. Possibilita, abre e garante efetivamente que exista um lugar, um espaço.
Assunto mega delicado esse, hein? Obviamente, não é nos camuflando, reprimindo, nem escondendo que faremos algo mudar. Infelizmente, o gueto ainda é algo necessário. Gera força, segurança, estabilidade. Possibilita, abre e garante efetivamente que exista um lugar, um espaço.
Mas, por outro lado...Impossível ignorar que é um espaço específico para "esse tipo de gente". Cada vez mais a visibilidade, a inclusão, a igualdade de direitos civis se faz necessária. Se precisamos nos fechar em guetos como ratos, é porque ainda somos vistos e tratados como ratos.
A escritora Diedra RoizHá uma dificuldade maior ao se querer publicar um livro com temática homossexual? Como você avalia este mercado da literatura para a temática homossexual?
Se falarmos sobre impressão em pequena escala, hoje em dia qualquer pessoa pode fazer uma edição de autor, basta ter capital. Já no tocante a publicações bancadas pelas editoras... Bem... Como tudo no Brasil, é uma questão de QI (quem indica) não é verdade? Obviamente, o livro ter uma temática ainda considerada “não grata”, como a homossexual só pode dificultar ainda mais sua publicação.
Se falarmos sobre impressão em pequena escala, hoje em dia qualquer pessoa pode fazer uma edição de autor, basta ter capital. Já no tocante a publicações bancadas pelas editoras... Bem... Como tudo no Brasil, é uma questão de QI (quem indica) não é verdade? Obviamente, o livro ter uma temática ainda considerada “não grata”, como a homossexual só pode dificultar ainda mais sua publicação.
Porém, tudo tem seu lado bom, não? A temática ser lésbica pode ter me fechado algumas portas, mas abriu exatamente a porta que eu precisava nesse momento, que foi o abcLES editorial. Foi absolutamente importante tanto para mim quanto para a editora este "casamento".
O que você diria para alguém que pense que livro com “temática homossexual é só para homossexuais”?
Sinalizei o que penso sobre isso na epígrafe do livro: "O maior inimigo da verdade, não é a mentira e sim, a convicção." (Friedrich Nietzsche). Dogmas, verdades absolutas, paradigmas só servem para fechar, aprisionar, reprimir a singularidade implícita em cada ser humano. Impedem que se aproveite a maior beleza da vida, que está exatamente em ousar, sair, fugir de frases, pensamentos e medos construídos de fora para dentro, engolidos e vomitados em grande escala.
Sinalizei o que penso sobre isso na epígrafe do livro: "O maior inimigo da verdade, não é a mentira e sim, a convicção." (Friedrich Nietzsche). Dogmas, verdades absolutas, paradigmas só servem para fechar, aprisionar, reprimir a singularidade implícita em cada ser humano. Impedem que se aproveite a maior beleza da vida, que está exatamente em ousar, sair, fugir de frases, pensamentos e medos construídos de fora para dentro, engolidos e vomitados em grande escala.
É difícil ou já foi difícil para você escrever sobre a homossexualidade? Pergunto, pela dificuldade com que o tema/a questão é encarado por muitos na sociedade.
Não tenho nem nunca tive dificuldade em escrever sobre a homossexualidade. Muito pelo contrário. Apesar da intolerância contra tudo que saia do padrão considerado “normal” ainda ser a realidade, talvez por uma questão de auto aceitação e de me esforçar e trabalhar diariamente para tentar não deixar vazar nenhuma manifestação de homofobia internalizada - e não é fácil, porque fomos criados e somos constantemente bombardeados para nos sentir diferentes, escusos, errados - por mais que me digam: “você precisa escrever outro tipo de literatura, diversificar”, prefiro verter o que é natural em mim, que é a temática lésbica.
Não tenho nem nunca tive dificuldade em escrever sobre a homossexualidade. Muito pelo contrário. Apesar da intolerância contra tudo que saia do padrão considerado “normal” ainda ser a realidade, talvez por uma questão de auto aceitação e de me esforçar e trabalhar diariamente para tentar não deixar vazar nenhuma manifestação de homofobia internalizada - e não é fácil, porque fomos criados e somos constantemente bombardeados para nos sentir diferentes, escusos, errados - por mais que me digam: “você precisa escrever outro tipo de literatura, diversificar”, prefiro verter o que é natural em mim, que é a temática lésbica.
Acredito que precisamos expor, mostrar, não nos deixar calar, pois é exatamente a expressão visível da diversidade que vai nos tirar dos cantos, becos, guetos e armários. Quanto mais formos, estivermos e existirmos de fato, mais fácil nos tornarmos de Direito, efetivamente legalizados.
Como surgiu a idéia dos vídeos inspirados no livro? (Na véspera do lançamento do livro foram divulgados três teasers no you tube sobre o lançamento do livro, que você confere na sequência)
Eu sou uma cinéfila incurável! Quando escrevo, visualizo as imagens, como Wind Rose escreveu na introdução: eu me transporto para a "cena".
Como surgiu a idéia dos vídeos inspirados no livro? (Na véspera do lançamento do livro foram divulgados três teasers no you tube sobre o lançamento do livro, que você confere na sequência)
Eu sou uma cinéfila incurável! Quando escrevo, visualizo as imagens, como Wind Rose escreveu na introdução: eu me transporto para a "cena".
Apesar do selo editorial, o livro é uma iniciativa pessoal. Esforço, coragem e ousadia minha e da Dani, portanto, fruto de força e de vontade. Então, exatamente como todo artista brasileiro sem patrocínio faz, compensamos falta de verba para divulgação paga com boas parcerias e criatividade. Tenho vários amigos, muito competentes, trabalhando com produção de imagens, conversei com eles sobre o livro, sobre as cenas que imaginava e eles abraçaram o projeto.
Abaixo, você confere os três teasers feitos sobre o livro, com comentários da própria Diedra.
Clique aqui para comprar o livro “O livro secreto das mentiras e medos” de Diedra Roriz.
"O primeiro vídeo, dirigido por Cristiano Queiróz, foi o primeiro contato que as leitoras tiveram com a história, na verdade ele era só uma chamada para avisar que existiria um livro. Foi feito todo em cima do prólogo. Então ele foi o mais teatral, o mais dramático. Eu diria até... Rodrigueano quase".
"O segundo, edição de fotos de Tata Barreto, foi ao ar no início das vendas, ele tem uma linguagem mais de clip, rápida, um turbilhão de informações que já introduzem o enredo, com frases que fazem parte do livro, deixando reticências e um gostinho de quero saber mais".
Abaixo, você confere os três teasers feitos sobre o livro, com comentários da própria Diedra.
Clique aqui para comprar o livro “O livro secreto das mentiras e medos” de Diedra Roriz.
"O primeiro vídeo, dirigido por Cristiano Queiróz, foi o primeiro contato que as leitoras tiveram com a história, na verdade ele era só uma chamada para avisar que existiria um livro. Foi feito todo em cima do prólogo. Então ele foi o mais teatral, o mais dramático. Eu diria até... Rodrigueano quase".
"O segundo, edição de fotos de Tata Barreto, foi ao ar no início das vendas, ele tem uma linguagem mais de clip, rápida, um turbilhão de informações que já introduzem o enredo, com frases que fazem parte do livro, deixando reticências e um gostinho de quero saber mais".
"O terceiro, dirigido por Mônica Brito, usou e abusou da linguagem do trailler cinematográfico. Foi todo filmado no espaço aonde dias depois aconteceu a noite de autógrafos no Rio, no Kreatori Coletivo de Arte, espaço fechado também através de parceria".





